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Meio Ambiente
NOAA revisa cálculo do El Niño diante do aquecimento global
Foto: Divulgação

Nova metodologia busca separar efeitos naturais do calor causado pelas mudanças climáticas.

O avanço do aquecimento global está forçando cientistas a reverem a forma como fenômenos climáticos são analisados. Diante do aumento contínuo da temperatura dos oceanos, a NOAA decidiu atualizar os critérios utilizados para monitorar o El Niño.

 

Os oceanos absorvem cerca de 90% do calor excedente gerado pelos gases de efeito estufa, o que tem elevado significativamente a temperatura das águas. Esse cenário torna mais difícil diferenciar o aquecimento natural do Pacífico característico do El Niño do aquecimento global generalizado.

 

Tradicionalmente, o fenômeno é identificado quando as águas do Oceano Pacífico, próximas à linha do Equador, apresentam temperaturas acima da média histórica. Quando ocorre o resfriamento, caracteriza-se o La Niña, e, quando as temperaturas ficam dentro do padrão, o período é considerado neutro.

 

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A principal mudança anunciada pela NOAA está na forma de calcular essas variações. Antes, a análise considerava apenas a diferença absoluta da temperatura da superfície do mar em relação à média histórica. Agora, o novo método desconta o aquecimento médio de toda a faixa tropical do planeta, permitindo identificar se o aumento de temperatura é realmente específico do Pacífico central ou reflexo do aquecimento global.

 

Na prática, isso torna a medição mais precisa, ao eliminar a influência do calor extra acumulado nos oceanos ao longo dos anos. Segundo a agência, esse novo índice já demonstrou maior capacidade de refletir os impactos atmosféricos associados aos ciclos de El Niño e La Niña.

 

Com a revisão dos dados históricos, algumas mudanças já foram observadas: períodos anteriormente classificados como El Niño fraco passaram a ser considerados neutros, enquanto houve aumento na identificação de episódios de La Niña.

 

Para o meteorologista Tércio Ambrizzi, a mudança tende a corrigir distorções causadas pelo aquecimento global. Segundo ele, eventos passados podem parecer menos intensos sob a nova metodologia, enquanto episódios de La Niña podem ganhar mais destaque.

 

Apesar de avaliar a atualização como positiva, o especialista ressalta que o novo modelo ainda será testado ao longo do tempo. A possível formação de um novo El Niño no segundo semestre pode servir como um importante parâmetro para validar a eficácia do método.

 

A oceanóloga Regina Rodrigues destaca que, mesmo com mudanças na classificação, os impactos climáticos podem continuar intensos. Isso porque a atmosfera responde à temperatura total dos oceanos, e não apenas às variações regionais.

 

Já o físico atmosférico Paulo Artaxo reforça que o clima global já mudou significativamente, o que exige novas abordagens científicas. Para ele, manter parâmetros antigos pode levar a interpretações equivocadas sobre os fenômenos atuais.

 

No Brasil, episódios de El Niño costumam provocar seca nas regiões Norte e Nordeste, aumentando o risco de queimadas, enquanto o Sul tende a enfrentar chuvas intensas, com possibilidade de enchentes e deslizamentos.

 

De acordo com projeções recentes da NOAA, há tendência de transição de La Niña para um período neutro nos próximos meses. Existe ainda cerca de 62% de probabilidade de formação de um novo El Niño entre junho e agosto, podendo se estender até o fim de 2026.

 

O ECMWF também aponta para a possível volta do fenômeno, com chance de início já em maio e evolução para intensidade moderada ou forte ao longo do ano. Até o momento, no entanto, o órgão europeu não confirmou se adotará a mesma metodologia revisada pela NOAA.

 

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A atualização reforça a necessidade de adaptar análises científicas e políticas públicas a um cenário climático cada vez mais influenciado pelo aquecimento global. 

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