Especialista ouvido pelo Portal iG explica ocorrências e alerta para a importância do monitoramento sísmico
O Brasil é um país de baixa atividade sísmica, mas recentemente registrou uma sequência de tremores que chamaram atenção. Entre os dias 23 e 26 de agosto, quatro terremotos ocorreram em território nacional.
As quatro ocorrências foram localizadas no mesmo estado, segundo dados do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo ( USP ).
Os abalos sísmicos foram identificados nas cidades mineiras de Sete Lagoas, Pirajuba e Frutal. O mais recente aconteceu nesta terça-feira (26), em Frutal , com magnitude de 2,3 mR .
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Durante a segunda-feira (25), Pirajuba registrou um tremor de 2,8 mR , o mais intenso da sequência. E antes disso, no sábado (23) e no domingo (24), Sete Lagoas foi o epicentro de dois eventos consecutivos, de 1,9 mR e 2,5 mR , respectivamente.
POR QUE MINAS GERAIS CONCENTRA TANTOS TREMORES?
Embora terremotos de grande magnitude sejam raros no Brasil, pequenos abalos são comuns , especialmente em áreas com falhas geológicas antigas e intensa exploração do solo, como regiões mineradoras. Minas Gerais está entre os estados que mais registram esse tipo de ocorrência devido à sua geodinâmica interna.
Em entrevista ao Portal iG , o pesquisador do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Desastres da UFF e tenente-coronel do Corpo de Bombeiros Militar, Gil Correia Kempers Vieira, explica que “ os tremores em Minas Gerais são causados por fenômenos de geodinâmica interplacas. São falhas geológicas antigas no interior da crosta terrestre”.
Ele também argumenta que a crosta não é estática e a remoção de massa e a erosão das rochas ocasionam um desequilíbrio , sendo necessário um reajuste, que pode disparar pequenos tremores. “Mesmo que Minas Gerais não seja um recordista em sismos, essa condição é mais intensa nesta região do país” , diz ao iG .
Para Vieira, os quatro abalos em poucos dias não representam uma anomalia grave .
“Esses pequenos tremores fazem parte da rotina dos movimentos de massa e necessitam ser monitorados e acompanhados, para se necessário, emitir algum alerta ou informação para a população, principalmente no intuito de levar informação”, afirma .
EXISTE RISCO DE EVENTOS MAIS FORTES?
De acordo com o pesquisador, a formação geológica brasileira não favorece grandes terremotos.
Apesar da baixa probabilidade de tremores severos, Vieira recomenda medidas de prevenção.
“É importante que a população desta área seja orientada pela Defesa Civil para os procedimentos em caso de emergência e deve acompanhar o monitoramento do Serviço Geológico Brasileiro, observando os indicativos e reproduzindo para a população as indicações adequadas”.
MUDANÇAS CLIMÁTICAS INFLUENCIAM OS SISMOS?
Segundo Gil, as mudanças climáticas têm contribuído para a intensificação dos desastres nos últimos anos, reduzindo o intervalo entre os eventos e aumentando a severidade .
No entanto, quando se trata de sismos, ainda não há evidências de uma correlação direta. Mesmo assim, devido à dinâmica constante das camadas terrestres, é fundamental manter o monitoramento da evolução dos processos que podem desencadear desastres.
IMPACTO ECONÔMICO E ESTRUTURAL
Quando questionado sobre os possíveis impactos caso os tremores aumentassem, Vieira destaca que:
“Os desastres causam prejuízos que muitas vezes têm um grande impacto na economia e no turismo, uma vez que esse impacto diminui o poder econômico local, diminuindo o fluxo de pessoas, por conta do medo ou mesmo da ocorrência do desastre, o que desencadeia uma destruição da cadeia produtiva local. No caso específico dos tremores, em Minas Gerais, ainda não são um indicativo relevante para a economia, mas carece de monitoramento para verificar a repercussão destes eventos nos próximos anos”.
MONITORAMENTO E TECNOLOGIA
Mesmo com avanços, ainda não existem tecnologias para prever terremotos antes que ocorram .
“Os sismos são um grande desafio no mundo todo, pois os alertas emitidos são deflagrados posteriormente à ocorrência dos tremores. Ainda não existe uma tecnologia capaz de realizar a predição deste fenômeno” , afirma o especialista.
Vieira ressalta que o monitoramento sísmico no Brasil segue os mesmos padrões utilizados internacionalmente. A tecnologia empregada no país permite acompanhar a ocorrência de tremores e, quando necessário, emitir alertas por meio do sistema de Defesa Civil .
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Ele também enfatiza a necessidade de integrar esses dados aos mecanismos de gestão de riscos. Em regiões onde esse tipo de desastre é considerado uma ameaça, é fundamental incluí-lo nos Planos de Contingência e nos Planos Municipais de Redução de Riscos ( PMRR ), garantindo a criação de políticas públicas que minimizem riscos e reduzam vulnerabilidades locais .
Fonte:Ig