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Nova insulina no SUS promete mais controle e menos riscos para pacientes com diabetes
Foto: Divulgação

Com ação prolongada e menos aplicações, insulina glargina melhora adesão ao tratamento e reduz episódios de hipoglicemia.

O Ministério da Saúde iniciou, em fevereiro, a substituição gradual da insulina NPH pela insulina glargina no Sistema Único de Saúde (SUS), marcando um avanço importante no tratamento do Diabetes no país.

 

A principal inovação da glargina está no seu mecanismo de ação: diferente da insulina tradicional, ela possui liberação lenta e contínua, mantendo os níveis de glicose mais estáveis ao longo do dia. Isso reduz a necessidade de múltiplas aplicações, já que o medicamento pode ser administrado apenas uma vez ao dia.

 

Segundo o endocrinologista Gustavo Daher, do Hospital Israelita Albert Einstein, a nova insulina permanece ativa no organismo por cerca de 18 a 24 horas. “Essa duração mais longa facilita o uso e contribui para uma rotina de tratamento mais simples para o paciente”, explica.

 

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Outro diferencial importante é a forma como a substância atua no corpo. Após a aplicação, a glargina forma microcristais no tecido subcutâneo, liberando o hormônio gradualmente na corrente sanguínea. Isso evita picos de ação comuns na insulina NPH e diminui o risco de hipoglicemia, condição em que os níveis de açúcar no sangue caem de forma perigosa.

 

O benefício é especialmente relevante para pessoas que dependem do uso contínuo de insulina, como pacientes com diabetes tipo 1 e parte dos casos de diabetes tipo 2. Estima-se que entre 30% e 40% dos diabéticos precisem recorrer ao uso do hormônio em algum momento da vida.

 

IMPLANTAÇÃO GRADUAL NO SUS

 

A introdução da insulina glargina na rede pública começou como projeto-piloto em estados como Amapá, Paraná e Paraíba, além do Distrito Federal. Nesta fase inicial, o foco são crianças e adolescentes com diabetes tipo 1, além de idosos com mais de 80 anos.

 

A expectativa do governo é atender mais de 50 mil pessoas nesta etapa inicial. Paralelamente, profissionais da atenção básica estão sendo capacitados para orientar os pacientes sobre o uso correto do medicamento e das canetas aplicadoras.

 

Apesar do custo mais elevado que pode variar entre R$ 70 e R$ 150 por unidade, especialistas avaliam que a incorporação da glargina ao SUS trará benefícios significativos, como maior adesão ao tratamento, melhor controle glicêmico e redução de complicações.

 

DESAFIO DE SAÚDE PÚBLICA

 

No Brasil, o diabetes é um problema crescente. Estima-se que entre 10% e 15% da população conviva com a doença, embora o número real possa ser ainda maior devido ao alto índice de casos não diagnosticados.

 

A adoção de tecnologias mais modernas, como a insulina glargina, representa um passo importante para melhorar a qualidade de vida dos pacientes e fortalecer o enfrentamento da doença no sistema público de saúde. 

 

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