A presidente do Peru, Keiko Fujimori, e o chanceler Alfonso Carlos Espá
A nomeação de Carlos Espá para o comando do Ministério das Relações Exteriores do Peru acendeu um sinal de alerta no governo brasileiro. Escolhido pela presidente Keiko Fujimori, o novo chanceler é visto em Brasília como um nome fortemente alinhado aos Estados Unidos, o que pode influenciar o rumo da política externa peruana nos próximos anos.
Ex-jornalista e ex-candidato à Presidência do Peru, Espá construiu parte de sua carreira na Embaixada dos Estados Unidos em Lima, onde atuou como diretor de comunicação. Além disso, mantém proximidade com integrantes do governo do presidente Donald Trump, fator que despertou preocupação no Palácio do Planalto e no Itamaraty.
A avaliação de diplomatas brasileiros é que o fortalecimento da influência americana na América do Sul, defendido pelo secretário de Estado Marco Rubio, pode reduzir o espaço para iniciativas de integração regional lideradas pelo Brasil. A presença de um aliado da Casa Branca à frente da diplomacia peruana é considerada um obstáculo para o avanço de algumas parcerias estratégicas entre os países sul-americanos.
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Nos bastidores, integrantes do governo Lula admitem que o ritmo das negociações com o Peru deve perder intensidade. Apesar disso, ressaltam que o Brasil continuará apostando em projetos de interesse comum, principalmente aqueles voltados para a Amazônia e para a Rodovia Interoceânica, corredor logístico que pretende ligar o noroeste brasileiro aos portos peruanos no Oceano Pacífico.
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Mesmo diante das diferenças de posicionamento político e diplomático, a expectativa é de que a cooperação bilateral seja preservada em áreas consideradas estratégicas para os dois países, evitando que as mudanças na política externa peruana prejudiquem iniciativas de desenvolvimento e integração regional.