Hiperconexão pode trazer risco e deixar idosos mais suscetíveis a golpes e fake news
Um novo estudo mostra que a saúde mental e a neurodivergência têm sido banalizadas com a disseminação de informações incorretas e falsas nas redes sociais. O fenômeno é especialmente preocupante no caso do transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) e do transtorno do espectro autista (TEA). Segundo os pesquisadores, 52% dos vídeos relacionados ao TDAH e 41% dos vídeos sobre TEA analisados no TikTok continham informações equivocadas.
No YouTube, a porcentagem caiu para 22%, e no Facebook, para 15%. A equipe responsável pelo estudo ressalta que a maior preocupação está na patologização presente nos conteúdos enganosos, ou seja, a transformação de comportamentos cotidianos em distúrbios ou doenças.
O impacto desse tipo de desinformação vai além do conteúdo: ele alimenta estigmas e pode atrasar a busca por ajuda profissional por parte de pessoas que realmente precisam, seja por medo ou incompreensão.
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"Informações sobre saúde mental nas redes sociais são importantes porque muitos jovens recorrem a essas plataformas para entender seus sintomas e possíveis diagnósticos. O conteúdo do TikTok tem sido associado ao aumento da crença entre jovens de que podem ter problemas de saúde mental ou transtornos do neurodesenvolvimento. Embora esse questionamento possa ser um ponto de partida útil, é fundamental que ele leve a uma avaliação clínica adequada por um profissional", explica Eleanor Chatburn, da Escola de Medicina de Norwich.
O estudo, publicado na revista científica Journal of Social Media Research, analisou 5 mil postagens sobre temas de saúde mental, incluindo autismo, TDAH, esquizofrenia, transtorno bipolar, depressão, transtornos alimentares, TOC, ansiedade e fobias.
Os resultados confirmaram que conteúdos produzidos por profissionais da saúde apresentam menos informações incorretas ou falsas. No caso do TDAH no TikTok, apenas 3% dos vídeos de profissionais continham erros, contra 55% dos vídeos produzidos por não profissionais, segundo Alice Carter, autora da pesquisa.
Por outro lado, o YouTube Kids se destacou como plataforma consideravelmente mais segura. Os vídeos analisados não apresentaram desinformação sobre ansiedade e depressão, e apenas 8,9% sobre TDAH. A diferença é atribuída às regras de moderação mais rigorosas da plataforma.
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Carter alerta para o efeito das câmaras de eco digitais: quando os usuários demonstram interesse por um tema, são continuamente expostos a conteúdos semelhantes, reforçando afirmações falsas ou exageradas. "É a tempestade perfeita para que a desinformação se torne viral mais rápido do que os fatos conseguem acompanhar", conclui.