Pesquisa contesta teoria recente e confirma que a energia escura segue impulsionando o crescimento acelerado do cosmos.
Uma nova pesquisa internacional reforçou que o universo continua se expandindo de forma acelerada, contrariando um estudo publicado em 2025 que colocava em dúvida um dos principais conceitos da cosmologia moderna. O trabalho, divulgado na revista científica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, reafirma que a chamada energia escura permanece como a principal explicação para esse fenômeno.
A expansão do universo teve início após o Big Bang, ocorrido há cerca de 13,8 bilhões de anos. Em 1998, cientistas descobriram que esse crescimento não apenas continua, como acontece em ritmo acelerado, descoberta que rendeu o Prêmio Nobel de Física. No ano passado, porém, um estudo sugeriu que essa aceleração estaria diminuindo, provocando intenso debate na comunidade científica.
Agora, uma equipe internacional de pesquisadores apresentou uma análise mais ampla e concluiu que as evidências continuam favorecendo o modelo cosmológico atualmente aceito. Segundo o astrofísico Brodie Popovic, da Universidade de Southampton, no Reino Unido, os resultados reforçam que o universo segue em expansão acelerada, embora ainda existam muitos mistérios sobre a natureza da energia escura.
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Para chegar às conclusões, os cientistas analisaram supernovas do tipo Ia, explosões estelares que possuem brilho praticamente uniforme e funcionam como referências para medir grandes distâncias no universo. A comparação entre o brilho observado e o brilho real dessas explosões permite calcular como o cosmos se expandiu ao longo de bilhões de anos.
O estudo também contestou a hipótese apresentada pela pesquisa anterior, que atribuía diferenças nas medições à idade das estrelas que originam essas supernovas. Segundo os autores, não foram encontradas evidências que comprovem esse chamado "efeito da idade" nas maiores amostras analisadas pela comunidade científica.
Entre os pesquisadores envolvidos está Adam Riess, vencedor do Prêmio Nobel de Física de 2011, que destacou que as supernovas do tipo Ia continuam sendo a ferramenta mais confiável para medir a expansão do universo e sustentam as evidências de que a energia escura segue acelerando esse processo.
Apesar da confirmação do modelo atual, os cientistas ressaltam que a energia escura continua sendo um dos maiores enigmas da física moderna. Atualmente, estima-se que ela represente cerca de 68% de todo o conteúdo do universo, enquanto a matéria escura corresponde a aproximadamente 27% e a matéria comum, formada por estrelas, planetas e galáxias, representa apenas 5%.
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A expectativa é que os próximos anos tragam respostas mais precisas sobre esse fenômeno. Novos equipamentos, como o Observatório Vera C. Rubin, no Chile, e o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, previsto para entrar em operação em breve, deverão fornecer dados inéditos capazes de aprofundar o conhecimento sobre a energia escura e a evolução do universo.