Cobranças públicas, troca de críticas nas redes e divergências sobre estratégia política ampliam tensão entre aliados do bolsonarismo
Uma nova crise interna no Partido Liberal ganhou força nos últimos dias e revelou divergências públicas entre Eduardo Bolsonaro, Nikolas Ferreira e Michelle Bolsonaro. O episódio reacendeu disputas antigas por influência dentro do partido e pelo direcionamento da direita ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
O impasse começou após Nikolas anunciar uma manifestação marcada para 1º de março com críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministros do Supremo Tribunal Federal, incluindo Dias Toffoli. Parlamentares do PL em São Paulo reagiram, alterando o foco do protesto para pautas como anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro e a derrubada de vetos legislativos, deixando de lado a menção ao impeachment de ministros do STF.
Deputados mais alinhados ao núcleo bolsonarista organizaram um grupo para estruturar o ato na avenida Paulista, movimento interpretado como esvaziamento da liderança de Nikolas na mobilização.
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COBRANÇA PÚBLICA E TROCA DE FARPAS
A tensão aumentou quando Eduardo Bolsonaro afirmou, em entrevista, que considera insuficiente o apoio de Nikolas e de Michelle à pré-candidatura presidencial de seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro. A declaração trouxe a público insatisfações que já circulavam nos bastidores.
Aliados de Nikolas reagiram, classificando as críticas como disputa por protagonismo político. O deputado mineiro tem ampliado visibilidade nacional com mobilizações em defesa da anistia aos presos pelos atos de 8 de janeiro.
Michelle Bolsonaro também entrou no centro da polêmica após publicar nas redes sociais uma imagem de bananas fritas, legenda que foi interpretada por aliados de Eduardo como uma indireta, em referência ao apelido atribuído ao parlamentar. A ex-primeira-dama não comentou publicamente a interpretação.
REAÇÕES DENTRO DO PARTIDO
O embate se estendeu a outros integrantes da legenda. O vereador Carlos Bolsonaro criticou o que chamou de tentativa interna de enfraquecer os filhos do ex-presidente. Já parlamentares como Mário Frias e Gil Diniz defenderam maior unidade e criticaram ataques entre correligionários.
Também houve ruído entre Carlos Bolsonaro e o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, após declarações sobre a definição de pré-candidaturas ao Senado e aos governos estaduais. Enquanto Carlos afirmou que Jair Bolsonaro pretende indicar nomes para receber seu apoio, Valdemar ressaltou que todos no partido têm direito de sugerir candidaturas.
DISPUTA POR ESPAÇO EM ANO PRÉ-ELEITORAL
O episódio evidencia uma disputa por espaço e liderança dentro do PL em meio à preparação para as eleições de 2026. O debate envolve tanto a estratégia de enfrentamento ao governo Lula quanto a consolidação de nomes que disputarão cargos majoritários.
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Apesar das divergências públicas, integrantes do partido afirmam que o objetivo comum segue sendo fortalecer o campo conservador. Nos bastidores, porém, cresce a percepção de que a falta de alinhamento pode impactar a articulação política nos próximos meses.