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Novo remédio para Alzheimer aprovado pela Anvisa: para quem é indicado?
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Aval foi para o Leqembi, das farmacêuticas Biogen e Eisai, que pertence a uma nova geração de anticorpos e consegue retardar de forma modesta a perda cognitiva

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou um novo medicamento para Alzheimer no Brasil. O aval foi para o lecanemabe, vendido sob o nome comercial de Leqembi pelas farmacêuticas Biogen e Eisai. Ainda não há previsão para lançamento no Brasil.

 

PARA QUEM O REMÉDIO É INDICADO?


O fármaco recebeu o sinal verde para o tratamento de pacientes adultos com comprometimento cognitivo leve e demência leve devido à doença de Alzheimer, ou seja, na fase inicial da doença. Para isso, o indivíduo precisa ter a formação das placas de proteína amiloide no cérebro, patologia ligada ao Alzheimer e alvo do remédio, confirmada por testes.

 

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Além disso, o paciente não pode carregar a mutação no gene APOE-e4, que aumenta o risco de Alzheimer, mas também eleva a chance de efeitos colaterais graves do medicamento. A aprovação do remédio foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) pela Anvisa no final de dezembro.

 

O Leqembi é um anticorpo monoclonal antiamiloide, assim como o Kisunla (donanemabe), remédio da Eli Lilly aprovado no Brasil em abril do ano passado também para estágio inicial de Alzheimer. Ambos são os primeiros a de fato modificarem a evolução da doença, tendo demonstrado uma redução, ainda que modesta, no ritmo da perda cognitiva entre os pacientes.

 

— A nova aprovação do Leqembi no Brasil é importante porque ele faz parte dessa nova classe de medicamentos para Alzheimer e já havia sido aprovado pelas agências regulatórias dos Estados Unidos e da União Europeia. Junto com o donanemabe, é o que traz o melhor benefício para os pacientes até agora. Não é a cura, mas proporciona um atraso da progressão do quadro clínico do paciente — diz o neurocientista Mychael Lourenço, professor do Instituto de Bioquímica Médica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) que pesquisa Alzheimer.

 

Anvisa aprova novo tratamento para pacientes no início do Alzheimer

Foto: Reprodução

 

O medicamento atua se ligando e eliminando as placas da proteína amiloide que se formam ao redor dos neurônios de pessoas com a doença. Ele é administrado uma vez a cada duas semanas por meio de uma infusão intravenosa que dura aproximadamente uma hora em ambiente hospitalar.

 

Nos estudos clínicos, o tratamento com o Leqembi foi realizado por um período de 18 meses e, ao final, foi observada uma diminuição no ritmo da perda cognitiva dos pacientes de 27%. Quando os dados da pesquisa foram publicados, em 2022, foi a primeira vez que um medicamento conseguiu de fato interferir na doença.

 

No entanto, além do benefício modesto, outros fatores que dificultam a adesão ao fármaco são os preços elevados e o risco de efeitos colaterais graves. Ainda não há previsão para valores no Brasil, primeiro a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) precisa definir o preço máximo. Porém, nos Estados Unidos, o tratamento custa cerca de 26,5 mil dólares ao ano, o equivalente a aproximadamente 143 mil reais na cotação atual.

 

O tratamento com o Kinsula, que já é encontrado em alguns laboratórios e hospitais do país, tem sido vendido a cerca de 24 mil reais por mês, ou seja, mais de 200 mil por ano. O medicamento tem uma eficácia levemente superior à do Leqembi, tendo reduzido a perda cognitiva em até 35% ao longo de 18 meses nos estudos clínicos.

 

— Certamente os dois não são medicamentos que estarão disponíveis no SUS por enquanto, são muito caros. Imagino que um parecer para a incorporação seria negativo pelo custo, por não ser indicado para todas as pessoas e não curar a doença — diz o professor da UFRJ.

 

Além disso, ambos precisam ser indicados e administrados por profissionais especializados e com acompanhamento rigoroso para evitar os riscos de efeitos colaterais. Reações comuns observadas nos estudos foram hemorragias no cérebro, problemas ligados à infusão e dores de cabeça. Em alguns casos, ocorreram edemas no órgão que podem ser graves.

 

— Esses edemas podem não resultar em nada, causar apenas uma dor de cabeça, mas em alguns casos podem ser graves. Então a triagem clínica tem que ser feita com muito cuidado. O paciente precisa fazer testes, exames de imagens, para entender o risco. Portanto não é um medicamento de indicação geral para todo paciente com Alzheimer. É uma prescrição específica, alguns pacientes são contraindicados — explica Lourenço.

 

O especialista lembra ainda que a maioria dos testes clínicos desses remédios foram realizados nos EUA e na Europa, com populações mais homogêneas geneticamente, diferente de como é no Brasil. Por isso, considera que vai ser importante avaliar a eficácia e a segurança desses medicamentos na população brasileira.

 

Ainda assim, apesar das limitações e desafios que envolvem os fármacos, o neurocientista considera que eles são avanços importantes na área do Alzheimer depois de anos sem novas alternativas terapêuticas:

 

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— Do ponto de vista biológico, eles mostram que a ciência está no caminho certo para criar novos tratamentos. Fico otimista porque temos vivido avanços importantes nos últimos anos e acredito que vamos produzir cada vez melhores medicamentos e cada vez mais rápido. 

 

Fonte: O Globo

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