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Novo vírus intestinal é associado a casos de câncer colorretal em estudo europeu
Foto: Divulgação

Pesquisadores identificam bacteriófago presente com maior frequência em pacientes com tumor, mas ainda não há comprovação de causa e efeito

Pesquisadores da Universidade do Sul da Dinamarca, em parceria com o Hospital Universitário de Odense, identificaram um vírus até então desconhecido que aparece com maior frequência no intestino de pessoas com câncer colorretal. A doença, que afeta o cólon e o reto, está entre as mais comuns no mundo.

 

O estudo, divulgado na última quinta-feira (19/2), revelou que o vírus foi encontrado dentro da bactéria Bacteroides fragilis, microrganismo que integra a flora intestinal de muitas pessoas saudáveis. Cientistas já observavam que essa bactéria era recorrente em pacientes com câncer colorretal, mas ainda não compreendiam totalmente o motivo.

 

Ao analisar o material genético da bactéria, a equipe identificou que, em parte dos casos, ela carregava um bacteriófago tipo de vírus que infecta bactérias. Segundo o pesquisador Flemming Damgaard, coordenador do estudo, trata-se de um vírus que ainda não havia sido descrito e que parece estar intimamente associado às bactérias encontradas em pacientes com o tumor.

 

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Para o cientista, o fator relevante pode não ser apenas a presença da bactéria, mas a interação entre ela e o vírus que transporta.

 

COMO A INVESTIGAÇÃO FOI CONDUZIDA

 

A pesquisa teve início com pacientes dinamarqueses que apresentaram infecção grave no sangue causada por Bacteroides fragilis. Parte deles recebeu diagnóstico de câncer colorretal pouco tempo depois.

 

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Os pesquisadores compararam o material genético da bactéria em indivíduos com e sem câncer e observaram que o vírus estava mais presente entre os pacientes com tumor. Para ampliar a análise, foram examinadas amostras de fezes de 877 pessoas da Europa, Estados Unidos e Ásia.

 

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Foto: Reprodução 

 

Os resultados mostraram que pacientes com câncer colorretal tinham aproximadamente o dobro de chance de apresentar o vírus no intestino em comparação com pessoas sem a doença.

 

O QUE A DESCOBERTA PODE INDICAR

 

Os cientistas ressaltam que os dados mostram uma associação estatística, mas não comprovam que o vírus cause câncer. Ainda não está claro se ele contribui diretamente para o desenvolvimento do tumor ou se apenas sinaliza alterações já existentes no ambiente intestinal.

 

O intestino humano abriga trilhões de microrganismos, formando o chamado microbioma. Alterações nesse equilíbrio vêm sendo investigadas como possíveis fatores relacionados ao câncer colorretal.

 

Em análises preliminares, algumas sequências do vírus conseguiram identificar cerca de 40% dos casos avaliados no estudo, o que pode abrir caminho para pesquisas futuras sobre rastreamento da doença. No entanto, são necessários novos estudos para confirmar qualquer aplicação clínica.

 

Agora, os pesquisadores pretendem investigar se o vírus está presente diretamente nos tumores, de que forma pode alterar o comportamento da bactéria e se há impacto no desenvolvimento do câncer em modelos experimentais.

 

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A descoberta não estabelece uma relação causal, mas acrescenta uma nova peça ao entendimento do papel do microbioma intestinal no surgimento do câncer colorretal. 

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