Mudança no comando do grupo francês de luxo Kering foi revelada pelo jornal Le Figaro e confirmada pela agência Bloomberg com fontes que pediram para não se identificar
O grupo francês de luxo Kering, dono de marcas como Gucci, Yves Saint Laurent e Balenciaga, deverá nomear o CEO da fabricante de automóveis Renault como seu próximo diretor executivo, apostando em um gestor italiano que conseguiu reverter a crise da montadora francesa para fazer algo semelhante com a holding da moda, atualmente em dificuldades financeiras.
Luca de Meo deverá ser nomeado CEO da Kering nos próximos dias, segundo pessoas familiarizadas com o assunto disseram à agência Bloomberg, confirmando uma reportagem publicada no domingo pelo jornal francês Le Figaro.
A nomeação esperada ocorre após relatos, na semana passada, de que a Kering estava avaliando a separação dos cargos de CEO e presidente atualmente ocupados por François-Henri Pinault.
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Um representante da Kering se recusou a comentar a notícia à agência Bloomberg. A Renault informou em comunicado neste domingo que De Meo apresentou sua renúncia e deixará a montadora em 15 de julho. O conselho da Renault já iniciou o processo de nomeação de um novo CEO, acrescentou a empresa.
A revista francesa Challenges relatou na semana passada que a Kering estava considerando separar os cargos, com Pinault, de 63 anos, buscando permanecer como presidente do grupo francês de luxo controlado por sua família.
De Meo, de 58 anos, passou cinco anos no comando da montadora francesa, após ter ocupado cargos anteriores no grupo Fiat e na Volkswagen. Durante sua gestão, ele firmou parcerias da Renault com empresas de moda, como a icônica marca francesa Agnès B, e incentivou o aumento do foco em merchandising.
Sob a liderança do executivo italiano, a Renault “retomou uma base saudável, apresenta uma linha impressionante de produtos e voltou a crescer”, disse o presidente do Conselho de Administração da montadora, Jean-Dominique Senard, no comunicado.
A mudança na governança da Kering ocorre após as ações da empresa terem perdido quase 80% de seu valor desde o recorde atingido em agosto de 2021. O grupo vem tentando reverter o desempenho de sua principal marca, a Gucci, nomeando novos designers — o primeiro no início de 2023 e o mais recente neste ano —, mas os esforços até agora não surtiram efeito.
A empresa também nomeou novos CEOs para diversas marcas, incluindo a Gucci e sua segunda maior marca, Yves Saint Laurent, no último ano.Embora tenha sede em Paris, a Kering é proprietária de outras marcas italianas, como a fabricante de artigos de couro Bottega Veneta e a joalheria Pomellato — o que provavelmente explica o interesse por um perfil como o de De Meo. Sob sua liderança, as ações da Renault aproximadamente dobraram de valor.
A nomeação de De Meo deverá levantar questionamentos sobre o futuro de dois executivos seniores sob a liderança de Pinault: Jean-Marc Duplaix e Francesca Bellettini, ambos promovidos a vice-CEOs há dois anos.
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Duplaix tem foco maior em operações e finanças, enquanto Bellettini é responsável pelo desenvolvimento das marcas. Pinault está à frente da Kering há duas décadas.
Fonte: O Globo