*Por Antônio Zacarias - No coração da Amazônia, longe dos holofotes de Brasília, surge uma história que mistura futebol, política, dinheiro e silêncio. Em Parintins — depois deslocado para Rio Preto da Eva — nasce um clube de futebol profissional cercado por um discurso social bem-acabado, mascote simpático e cores populares. Até aí, nada de anormal. O problema começa quando se olha com atenção quem está por trás do projeto e como ele se sustenta.
Luís Cláudio Lula da Silva, filho do presidente da República, aparece como proprietário e idealizador do clube. Um personagem que, até poucos anos atrás, não era conhecido por trajetória empresarial robusta, investimentos vultosos ou histórico no futebol profissional. Ainda assim, passa a comandar um projeto que envolve logística aérea e fluvial cara, estrutura profissional, salários, hospedagem, transporte e parcerias internacionais — tudo isso no estado mais caro do Brasil para se manter um time de futebol.
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A pergunta é simples, direta e incômoda: Luís Cláudio vive de quê no Amazonas? De onde vêm os recursos que sustentam o clube?Quem paga a conta?
Não se trata de criminalizar o futebol, nem de atacar iniciativas esportivas no interior da Amazônia. Trata-se de exigir transparência, sobretudo quando o sobrenome do dirigente é o mesmo do homem mais poderoso do país.
O enredo fica ainda mais nebuloso quando surge a figura do empresário sul-coreano Sung Un Song, descrito como parceiro do projeto. Um empresário estrangeiro, de perfil conservador, que decide investir justamente num clube ligado ao filho do presidente Lula, numa cidade sem tradição no futebol profissional e com enormes dificuldades logísticas. Qual foi a ponte? Quem apresentou quem? Qual foi o incentivo real para esse investimento?
O histórico recente de Luís Cláudio reforça a necessidade de vigilância. Em 2015, ele foi investigado na Operação Zelotes por suspeita de tráfico de influência. O processo acabou suspenso em 2022 por decisão do então ministro Ricardo Lewandowski, que até recentemente era ministro da Justiça de Lula, Mais uma coincidência? Talvez. Mas coincidências demais costumam exigir explicações mais detalhadas.
A reportagem da Folha de S.Paulo acrescenta novos elementos ao mostrar a articulação entre o filho do presidente, um empresário estrangeiro e um prefeito alinhado politicamente ao lulismo. O futebol, mais uma vez, surge como território fértil para relações pouco transparentes, onde dinheiro circula, interesses se cruzam e quase ninguém presta contas.
O ponto central não é afirmar crimes. É exigir clareza.
Quando um filho de presidente passa a operar negócios caros, em regiões sensíveis, com parceiros internacionais e apoio político local, o mínimo que se espera é que ele explique como vive, de onde vem o dinheiro e por que tudo isso acontece longe do escrutínio público.
O futebol amazônico merece respeito.
A população do Amazonas merece respeito.
E a democracia exige que sobrenomes poderosos não sejam blindados pelo silêncio.
Enquanto essas respostas não vierem, o discurso social do clube continuará bonito — mas a história por trás dele seguirá profundamente mal explicada.
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*Antônio Zacarias é fundador e proprietário do PORTAL DO ZACARIAS, atualmente no top 10 dos portais de notícias mais acessados do Brasil. Jornalista experiente, foi editor-geral de diversos jornais da Região Norte, com atuação destacada no Amazonas, onde dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério. Durante dois anos, atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte, a convite de Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral de O Globo. Antônio Zacarias é também autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra voltada à valorização do bom uso da língua portuguesa.