O aumento da salinidade e outras descobertas científicas no extremo sul planetário alertam para riscos crescentes, da biodiversidade ao turismo
Cientistas observaram que desde 2016 as águas superficiais do Oceano Antártico estão mais salgadas, sinalizando que o sistema climático do sul do planeta estaria mudando drasticamente. Essa alteração histórica pode afetar a vida selvagem, o turismo e as pescarias.
O fenômeno ocorre com a transferência de calor de águas profundas para a superfície. Isso acontece porque, ao se tornarem mais salgadas, as águas superficiais ficam mais densas, afundam e se misturam com áreas mais quentes do oceano.“Isso gera um ciclo que traz mais calor para a superfície e derrete o gelo marinho por baixo”, explicou Alessandro Silvano, pesquisador em Oceanografia Física na Universidade de Southampton (Reino Unido).
Silvano é um dos autores de um estudo que identificou essas mudanças no oceano e nas geleiras austrais, publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).
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“O artigo revela o quão pouco ainda compreendemos sobre o funcionamento de um ecossistema tão importante como a Antártica”, avaliou Alexander Turra, professor do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador da Cátedra Unesco para a Sustentabilidade do Oceano.

Foto: Reprodução
Um dos efeitos mais visíveis dessas alterações é a maior formação de icebergs, alertou Edward Doddridge, pós-doutor pelo MIT (sigla em Inglês do Instituto de Tecnologia de Massachusetts) e pesquisador na Universidade da Tasmânia (Austrália).
“Aproximadamente o dobro de icebergs tem se formado nos verões”, ressaltou o cientista, coautor de um artigo veiculado na revista PNAS Nexus quanto aos efeitos colaterais dos meses mais quentes do ano sobre as geleiras do extremo sul.A acelerada perda do gelo continental, aquele depositado sobre camadas de terra, contribui para elevar o nível dos oceanos, mas também pode atingir em cheio espécies cuja vida depende desse imenso sistema natural.
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Animais como a foca-caranguejeira (Lobodon carcinophagus) precisam de plataformas estáveis de gelo para parir e cuidar dos filhotes. Pinguins e outras aves marinhas se abrigam em ambientes similares para trocar as penas.
Fonte: O Eco