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O que você precisa saber sobre o rastreamento do câncer do colo do útero, segundo médicos
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Novos testes e mudanças nas recomendações podem tornar a prevenção mais acessível e ajudar a reduzir os casos da doença

Os últimos anos trouxeram mudanças importantes no rastreamento do câncer do colo do útero. Novos métodos de exame foram aprovados e as recomendações médicas foram atualizadas. A expectativa dos especialistas é que essas novidades ajudem a reduzir os casos da doença, que ainda representa uma importante causa de mortes evitáveis.

 

O câncer do colo do útero pode ser prevenido por meio da identificação de lesões pré-cancerosas e, principalmente, pela vacinação contra o papilomavírus humano (HPV), responsável pela maioria das alterações celulares que podem evoluir para a doença. Mesmo assim, mais de 250 mil pessoas morrem todos os anos em decorrência desse tipo de câncer em todo o mundo, incluindo cerca de 4 mil nos Estados Unidos.

 

Segundo Kathy MacLaughlin, professora associada de Medicina de Família da Mayo Clinic, barreiras históricas, como as desigualdades no acesso aos serviços de saúde, contribuem para esse cenário. Além disso, algumas pacientes, especialmente sobreviventes de violência sexual, podem considerar o exame pélvico extremamente desconfortável ou até insuportável, sem saber que hoje existem alternativas.

 

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A boa notícia é que fazer o rastreamento não precisa ser um processo doloroso nem complicado.

 

QUAIS SÃO AS OPÇÕES DE EXAME?

 

Exame papanicolau: método definitivo para a detecção precoce do câncer de  colo de útero


Durante muitos anos, o principal método de rastreamento foi o exame de Papanicolau, que consiste na coleta de células do colo do útero para verificar a presença de alterações pré-cancerosas ou de câncer. Embora as técnicas laboratoriais tenham evoluído, esse exame — tecnicamente chamado de citologia cervical — continua sendo amplamente utilizado.

 

Com o avanço das pesquisas sobre a relação entre o HPV e o câncer do colo do útero, surgiu uma nova alternativa: o teste para detectar o vírus.

 

Nem todas as pessoas infectadas pelo HPV desenvolverão câncer. No entanto, quase todas as pacientes com câncer do colo do útero apresentaram uma infecção persistente pelo vírus antes do diagnóstico. Por isso, detectar o HPV permite identificar o risco de forma mais precoce.

 

Enquanto a coleta para o exame de Papanicolau deve ser realizada por um profissional de saúde, a amostra para o teste de HPV pode ser coletada tanto por um profissional quanto pela própria paciente.

 

A Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA) aprovou, em 2024, dispositivos para autocoleta em consultórios médicos e, em 2025, autorizou seu uso em casa. Estudos mostram que esses testes apresentam precisão semelhante à das amostras coletadas por profissionais de saúde.

 

QUAL EXAME É O MAIS INDICADO?

 

Ministério da Saúde publica novas diretrizes para rastreamento do câncer do  colo do útero - Cofen


Todas as pessoas com risco de desenvolver câncer do colo do útero — incluindo mulheres e homens trans designados do sexo feminino ao nascer — devem realizar o rastreamento.

 

Após os 30 anos, existe um consenso entre especialistas de que o teste para HPV é a melhor opção, pois identifica o risco mais cedo. Já o exame citológico pode apresentar maior número de resultados falso-positivos.

 

Entre pacientes na faixa dos 20 anos, porém, ainda há divergências. Nessa idade, é comum que a infecção pelo HPV desapareça espontaneamente antes de causar qualquer problema. Assim, o teste pode gerar preocupação desnecessária em alguns casos.

 

Por esse motivo, o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas (ACOG) recomenda o exame de Papanicolau entre os 21 e os 29 anos. A Iniciativa de Serviços Preventivos para Mulheres (Women's Preventive Services Initiative), cujas diretrizes são respaldadas pelo governo dos Estados Unidos, segue a mesma orientação.

 

Já a Sociedade Americana do Câncer recomenda iniciar o teste para HPV a partir dos 25 anos. Segundo David Chelmow, professor de Obstetrícia e Ginecologia da Virginia Commonwealth University, não há motivo para preocupação diante dessas diferenças.

 

— As duas estratégias são extremamente eficazes para prevenir o câncer do colo do útero — afirma.

 

Todas as principais diretrizes também consideram aceitável a autocoleta da amostra. No entanto, ACOG e a Sociedade Americana do Câncer ainda preferem que a coleta seja realizada por profissionais de saúde sempre que possível. Isso porque pacientes com resultado positivo para HPV precisam realizar exames complementares.

 

Quando a amostra é coletada pelo profissional, ela pode ser reutilizada para testes adicionais. Já no caso da autocoleta vaginal, é necessário retornar ao consultório para uma nova coleta.

 

Segundo Akiva Novetsky, diretor médico de Qualidade e Segurança do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia do Westchester Medical Center, a autocoleta só traz benefícios se houver acompanhamento adequado após um resultado positivo. Ainda assim, ele ressalta que essa estratégia é muito melhor do que deixar de fazer o rastreamento.

 

COM QUE FREQUÊNCIA O EXAME DEVE SER FEITO?

 

DNA HPV e Papanicolau: Entenda os Exames e Suas Diferenças - Informação


As recomendações variam ligeiramente entre as entidades médicas, mas todas são consideradas eficazes. O ACOG orienta a realização do exame de Papanicolau a cada três anos entre os 21 e os 29 anos. Dos 30 aos 65 anos, recomenda o teste para HPV realizado por um profissional de saúde a cada cinco anos.

 

Para quem optar pela autocoleta, a recomendação atual é repetir o exame a cada três anos, já que ainda não existem estudos suficientes para confirmar se o método oferece proteção por um intervalo maior.

 

A Women's Preventive Services Initiative também recomenda o Papanicolau a cada três anos entre os 21 e os 29 anos e o teste para HPV a cada cinco anos entre os 30 e os 65 anos.

 

Já a Sociedade Americana do Câncer orienta que pessoas entre 25 e 65 anos façam o teste para HPV coletado por um profissional a cada cinco anos ou, se optarem pela autocoleta, a cada três anos.

 

Essas recomendações são destinadas a pessoas com risco médio e resultados normais. Quem apresenta maior risco para câncer do colo do útero ou já teve exames alterados pode precisar de um acompanhamento mais frequente.

 

O RASTREAMENTO DEVE CONTINUAR POR TODA A VIDA?

 

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Fotos: Reprodução


As principais diretrizes concordam que o rastreamento pode ser interrompido após os 65 anos, desde que a paciente tenha apresentado resultados normais nos exames anteriores. Embora alterações possam surgir após essa idade, os especialistas consideram que o risco é suficientemente baixo para justificar a interrupção do rastreamento.

 

As diferenças entre as recomendações são pequenas. O ACOG e a Women's Preventive Services Initiative exigem dois ou três exames normais nos dez anos anteriores, dependendo do tipo de teste realizado. Já a Sociedade Americana do Câncer prefere que a paciente tenha resultados negativos para HPV aos 60 e aos 65 anos.

 

Os especialistas orientam que essas diferenças não devem ser motivo de preocupação. O mais importante é conversar com o médico para definir a estratégia mais adequada para cada caso.

 

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Como o tecido vaginal tende a sofrer mudanças com o envelhecimento, a realização dos exames pode se tornar mais difícil ou desconfortável. Por isso, os especialistas recomendam manter o rastreamento em dia nos anos que antecedem os 65 anos. 

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