O debate de ontem exige o nosso alerta e as mulheres do Amazonas não vão silenciar
*Por Maria Santana Souza - O penúltimo debate antes do primeiro turno das eleições de 2026, promovido pela TV A Crítica na noite de ontem (28/09), transformou-se em um cenário de graves acusações que abalam a estrutura política do nosso estado. O confronto direto entre o candidato David Almeida (Avante) e o atual governador Roberto Cidade (União Brasil) extrapolou o campo das propostas de governo e adentrou o terreno das denúncias de corrupção institucional.
Durante a transmissão, Almeida acusou diretamente Cidade de ter "comprado" mandatos políticos e disparou um questionamento incisivo ao púlpito sobre o custo real do apoio de cada parlamentar, apontando ainda que a atual administração estadual foi alvo de operações conduzidas pela Polícia Federal e classificando-a como "o governo mais corrupto de todos os tempos".
Para dar sustentação às denúncias proferidas no estúdio, David publicou hoje, em suas redes sociais, recortes do debate combinados a um vídeo antigo da deputada Joana Darc. Na gravação compartilhada digitalmente, a parlamentar denunciava uma suposta compra de votos de deputados por R$ 200 mil na eleição interna para a presidência da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam). O movimento estratégico nas redes sociais transferiu o embate da televisão diretamente para o tribunal da internet nesta reta finalíssima de campanha.
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O ELEITORADO FEMININO DIANTE DAS DENÚNCIAS DE COMPRA DE VOTOS
Para as mulheres amazonenses, o tom adotado no debate de ontem não pode ser digerido como mero espetáculo ou "factoide" comum de reta final de campanha. Como profissionais, mães e principais chefes de família que sustentam o lar e a ponta social do Amazonas, nós sabemos que as acusações de desvio de conduta e uso abusivo do poder econômico na política atingem, em primeiro lugar, a dignidade das cidadãs. Cada denúncia de compra de voto, se confirmada pelos órgãos de controle, representa o sufocamento das verbas que deveriam financiar leitos de maternidade no interior, segurança pública contra o feminicídio nas periferias e merenda escolar para os nossos filhos.Diante de afirmações dessa gravidade, o eleitorado feminino é chamado a dar um basta, exigindo apuração imediata e punição rigorosa para quem transforma a política em um balcão de negócios.
O atual governador e candidato Roberto Cidade defendeu-se no estúdio afirmando que responde estritamente pelos próprios atos. Ele declarou que deseja concentrar a discussão eleitoral em propostas administrativas concretas para o estado, rejeitando o foco em ataques pessoais ou familiares trazidos à tona pelos adversários. No entanto, no tribunal da opinião pública, a linha que separa a articulação política legítima da suspeita sistêmica precisa ser rigorosamente avaliada pelo voto popular. O eleitor do Amazonas não pode se acostumar com a normalização da corrupção como regra de jogo.
A poucos dias do fechamento das urnas, o Portal Mulher Amazônica reforça o seu papel institucional e independente de alertar o nosso público. Nós, mulheres do Norte, representamos a maioria do eleitorado e carregamos o poder decisivo de dar um basta a qualquer projeto político que use o balcão de negócios como ferramentas de poder.
É tempo de analisar o histórico dos candidatos, comparar os discursos e refletir com profundidade sobre em quem confiar o destino do nosso estado. A nossa dignidade e o futuro dos nossos filhos não aceitam promessas rasas ou palanques erguidos sob o manto da dúvida moral.
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*Maria Santana Souza, Editora Executiva e Analista Política do Portal Mulher Amazônica.