David Almeida
*Por Plínio César A. Coêlho - A política amazonense caminha para um cenário onde a matemática das urnas encontra a oportunidade estratégica. Com a decisão pessoal e legítima do governador Wilson Lima de disputar uma vaga no Senado em 2026, abre-se um vácuo no Palácio Rio Negro que pode selar o destino do estado. Se o plano de David Almeida se confirmar, ele terá a chance de disputar o Governo contando com aliados de sua estrita confiança nas duas principais cadeiras do Amazonas. Mas é aqui que a lição de Nicolau Maquiavel se torna um alerta: "Aquele que é a causa do poder de outrem, arruína-se".
O BUNKER DE DAVID: ESTADO E PREFEITURA
A saída de Wilson Lima para o Senado coloca o vice-governador Tadeu de Souza no comando do Estado. Tadeu não é apenas o sucessor legal; é um aliado que veio do núcleo duro de David Almeida. Simultaneamente, ao disputar o Governo, David entregaria a Prefeitura de Manaus ao seu vice, Renato Junior, outro nome de sua absoluta confiança. Na prática, David Almeida entraria na campanha com o suporte direto das duas máquinas que hoje movem a economia e a política do Amazonas.
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Maquiavel ensinava que um príncipe prudente deve basear seu poder em forças próprias. Ao ter "os seus" nas cadeiras de comando, David tenta transformar a campanha em um cálculo de precisão. Ele passa a ter a vitrine da Prefeitura para manter a força em Manaus e a caneta do Estado (via Tadeu) para consolidar o apoio dos prefeitos no interior.
O SEGUNDO TURNO E A MORTE DAS "CABEÇAS DE COBRA"
Neste tabuleiro, a maior vítima da engenharia de David seria Omar Aziz. Com o controle total das máquinas, David teria força suficiente para asfixiar a candidatura do senador já no primeiro turno, excluindo-o da fase final da disputa. O cenário que se desenha para o segundo turno é um embate direto entre a estrutura governista de David e o peso ideológico de Maria do Carmo Seffair.
É nesse momento que David Almeida aplicaria o golpe de mestre: ao enfrentar Maria do Carmo detendo as chaves do Estado e da capital, ele teria uma probabilidade altíssima de vitória, "matando" politicamente duas cabeças perigosas de uma só vez. De um lado, eliminaria a ameaça da extrema direita de Maria; do outro, aposentaria a hegemonia histórica de Omar Aziz. Para Maquiavel, um líder só está seguro quando elimina a capacidade de seus rivais reagirem, e David estaria limpando o trilho para reinar soberano.
O RISCO DA "CADEIRA QUE TRANSFORMA"
Entretanto, o realismo maquiavélico impõe uma dúvida: a lealdade sobrevive à posse do poder real? No momento em que Tadeu e Renato assumirem as cadeiras, eles deixam de ser aliados de bastidor para se tornarem os chefes do Executivo. Maquiavel alertava que "os homens esquecem mais rápido a morte do pai do que a perda do patrimônio" — e o patrimônio, na política, é a autonomia da caneta. O sucesso de David depende de que seus aliados resistam à tentação de criar projetos próprios após se sentarem no trono.
CONCLUSÃO: O NOVO REI DO AMAZONAS
Se o cenário se confirmar e a lealdade de Tadeu e Renato se provar inabalável, David Almeida terá pavimentado o caminho para uma nova hegemonia política de oito anos. Ele terá conseguido o que poucos ousaram: disputar o comando do Estado com o controle indireto da capital e do Palácio Rio Negro. No fim, o isolamento não será apenas de um gigante, mas a substituição de toda uma era política por um novo sistema onde David Almeida dá as cartas sozinho.
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* Plinio Cesar Albuquerque Coêlho é professor do Departamento de Economia da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). É mestre em Administração pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e doutorando na Universidade de Ciências Empresariais e Sociais (UCES), em Buenos Aires.