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Ocultos por séculos, manuscritos medievais que contam início da lenda do rei Arthur são descobertos em Cambridge
Foto: Reprodução

Pesquisadores da Universidade de Cambridge anunciaram suas descobertas esta semana e publicaram online uma versão digitalizada do manuscrito

Isso até que um arquivista olhou novamente, dando início a um projeto de anos para identificar e reconstituir o manuscrito medieval, que havia sido desmontado na Inglaterra dos Tudor e utilizado para reforçar a encadernação de um livro contábil.

 

O manuscrito revelou-se uma descoberta inestimável: histórias arturianas extremamente raras, copiadas por um escriba entre 1275 e 1315, e parte da "Suite Vulgate du Merlin", uma sequência em francês antigo do início da lenda do rei Arthur. Pesquisadores da Universidade de Cambridge anunciaram suas descobertas esta semana e publicaram online uma versão digitalizada do manuscrito.

 

Existem menos de 40 cópias conhecidas da sequência "Suite Vulgate", e nenhuma delas é idêntica. “Cada cópia manuscrita de um texto medieval, escrita à mão por um escriba, sofre pequenas alterações”, explicou Irène Fabry-Tehranchi, especialista em francês antigo da biblioteca da universidade. “Cada escriba impõe seu próprio gosto ao texto.”

 

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O CONTEÚDO DO MANUSCRITO


O manuscrito conta duas histórias. A primeira narra as aventuras de Sir Gawain, sobrinho do rei Arthur, que enfrenta tanto barões rebeldes em casa quanto saxões pagãos invasores. Um desses nobres insurgentes é o próprio pai de Gawain, e ele se alia a Arthur para derrotá-lo. Depois, a batalha é contra os saxões.

 

Empunhando a lendária espada Excalibur, Gawain torna-se mais poderoso à medida que o sol nasce, atingindo sua força máxima ao meio-dia. Sua vitória pelo lado de Arthur é previsível, mas ainda assim satisfatória.

 

Para revelar o conteúdo do antigo manuscrito de Merlin, os pesquisadores usaram tecnologia avançada — Foto: Biblioteca da Universidade de Cambridge / The New York Times

Foto: Reprodução

 

Na segunda história, Arthur e sua rainha, Guinevere, estão presidindo um banquete quando são interrompidos por um visitante misterioso: um harpista cego, guiado por um cão branco. Encantado com sua música, Arthur concorda com o estranho pedido do homem: carregar o estandarte do rei no campo de batalha — um desejo aparentemente suicida.

 

O harpista, no entanto, é Merlin disfarçado, algo que a corte só percebe muito depois. “Graças à magia de Merlin, o estandarte se transforma em um dragão mágico que cospe fogo no campo de batalha”, explicou Fabry-Tehranchi.

 

Na época de sua criação, o manuscrito era um item de luxo, acrescentou Fabry-Tehranchi, provavelmente importado para a Inglaterra por aristocratas que falavam francês antigo, à medida que os romances arturianos se popularizavam. Com o tempo, conforme essas histórias foram traduzidas para o inglês, o valor de tais manuscritos diminuiu.

 

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A menos que alguém precisasse encadernar documentos soltos. Isso pode explicar por que, no século XVI, alguém na Huntingfield Manor, em Suffolk, decidiu usar o velho pergaminho como material para reforçar a encadernação de um livro de registros. 

 

Fonte: O Globo

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