Maior mobilização militar americana desde a invasão do Iraque intensifica confronto com o Irã e eleva tensão global.
A ação coordenada entre Estados Unidos e Israel contra o Ira é considerada a maior ofensiva militar no Oriente Médio nas últimas duas décadas. A operação foi sustentada pela mais robusta mobilização americana na região desde a invasão do Iraque, no início dos anos 2000.
Nas semanas que antecederam os ataques, Washington reforçou sua presença militar no Golfo. Porta-aviões e navios de guerra foram posicionados no Mar da Arabia e no Golfo Persico, incluindo ao menos dez embarcações. Duas delas permaneceram a poucos quilômetros da costa iraniana. O Pentagono também enviou destróieres ao Mediterrâneo, próximo a Israel, além do maior porta-aviões da Marinha americana, o USS Gerald R. Ford, deslocado para a costa israelense.
Os bombardeios foram registrados em diversas regiões do território iraniano. Israel contou com o apoio de aproximadamente 300 aeronaves de ataque, atingindo alvos militares em várias cidades. A ofensiva aérea explorou a superioridade tecnológica e a experiência operacional israelense na região.
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Em resposta, o Irã lançou ataques contra pelo menos quatro bases americanas e também contra Israel, utilizando ondas sucessivas de drones e mísseis balísticos. Analistas ainda avaliam a eficácia da retaliação.
Apesar da pressão, o Irã mantém um dos maiores contingentes militares do Oriente Médio e um programa nuclear que preocupa potências ocidentais. Além disso, o país exerce influência estratégica sobre o Estreito de Ormuz, rota por onde transita cerca de um quinto do petróleo mundial.
Para o professor de Relações Internacionais Kían Taibársh, da Universidade de Columbia, o confronto é assimétrico. Segundo ele, o Irã já teria utilizado parte significativa de seu arsenal de mísseis em confrontos anteriores, o que reduziria sua capacidade de sustentação em um conflito prolongado. Na avaliação do especialista, o embate pode durar dias ou semanas, mas não teria fôlego para se estender por longo período.
Já o professor de Estudos Islâmicos Akbar Ahmed, da American University, destacou que Washington busca evitar uma guerra terrestre, priorizando ataques aéreos e navais para minimizar riscos a soldados americanos. Ainda assim, ele alertou que conflitos dessa magnitude são imprevisíveis e podem escapar do controle inicial das potências envolvidas.
O cenário permanece instável, com impactos potenciais na segurança energética global e no equilíbrio geopolítico da região.