O caso, que começou como suspeita de suicídio, agora é apurado sob novas linhas de investigação enquanto a polícia aguarda os laudos definitivos
O tenente-coronel da Polícia Militar do Estado de São Paulo Geraldo Leite Rosa Neto solicitou afastamento das funções após a morte da esposa, a policial militar Gisele Alves Santana, de 29 anos. Ela foi encontrada gravemente ferida no apartamento do casal, no bairro do Brás, região central da capital paulista, no último dia 18.
A informação foi confirmada pela Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, que informou que o afastamento ocorreu a pedido do próprio oficial.
Inicialmente registrado como suicídio, o caso passou a ser investigado como “morte suspeita” após novas diligências e relatos que apontam para um possível relacionamento abusivo. A mãe de Gisele declarou à polícia que a filha sofria restrições impostas pelo marido, como proibição de usar batom, salto alto e perfume, além de cobranças relacionadas a tarefas domésticas.
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A Polícia Civil do Estado de São Paulo realizou, na segunda-feira (2), uma reconstituição no imóvel do casal e aguarda a conclusão dos laudos periciais para avançar na investigação.
VERSÃO APRESENTADA PELO OFICIAL
Em depoimento, o tenente-coronel afirmou que comunicou à esposa, na manhã de 18 de fevereiro, que pretendia se separar. Segundo ele, Gisele teria reagido de forma exaltada e o mandado sair do quarto. O oficial declarou que, ao tomar banho em seguida, ouviu um disparo cerca de um minuto depois. Ao sair do banheiro, disse ter encontrado a esposa caída no chão, com sangramento na cabeça e segurando a arma.
Ele relatou que abriu a porta do apartamento, acionou o resgate, a Polícia Militar e ligou para um amigo. Gisele foi socorrida por uma equipe da Unidade de Suporte Avançado e levada pelo helicóptero Águia ao Hospital das Clínicas, onde a morte foi confirmada.
O oficial também foi encaminhado ao hospital, onde recebeu atendimento psicológico. Após o socorro da vítima, solicitou autorização para retornar ao apartamento e tomar banho. O pedido foi inicialmente negado, mas depois autorizado. Ele afirmou que acreditava que ficaria um período prolongado fora de casa e precisaria trocar de roupa.
DIAS ANTERIORES À MORTE
Segundo o depoimento, o relacionamento vinha sendo marcado por discussões. O oficial contou que, no dia 13 de fevereiro, encontrou a esposa trancada no quarto com a filha dela, de 7 anos, e que ela teria manifestado intenção de se divorciar.
Nos dias seguintes, teriam ocorrido novos desentendimentos, incluindo discussões motivadas por ciúmes e conflitos relacionados à rotina familiar. O tenente-coronel afirmou que o casal passou a dormir em quartos separados desde agosto do ano passado.
Ele declarou ainda que o relacionamento foi impactado por denúncias anônimas à Corregedoria da PM sobre um suposto caso extraconjugal. Segundo o oficial, imagens teriam sido adulteradas, possivelmente com uso de inteligência artificial, e enviadas à esposa por perfis falsos, o que teria intensificado as crises no casamento.
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O casal se conheceu em 2021, iniciou o relacionamento em 2023 e oficializou a união em 2024. A investigação segue em andamento e depende da conclusão dos laudos periciais para esclarecer as circunstâncias da morte.