Projeto “Amazônia das Palavras” desperta nos jovens o interesse pela língua ancestral e fortalece a identidade cultural amazônica.
O projeto Amazônia das Palavras segue levando oficinas literárias e atividades culturais para municípios do interior do Amazonas e tem despertado o interesse de estudantes por um importante patrimônio da região: a língua indígena Nheengatu. A iniciativa já passou por cidades do Médio Solimões, como Coari, Anori e Anamã, promovendo ações gratuitas voltadas para alunos e educadores da rede pública.
Entre as atividades oferecidas, a oficina de Nheengatu se tornou um dos destaques da programação. A língua, pertencente à família Tupi-Guarani, teve papel fundamental na formação histórica e cultural da Amazônia e ainda influencia o vocabulário utilizado diariamente pelos amazônidas.
Segundo Fernanda Kopanakis, coordenadora-geral do projeto, a proposta nasceu da necessidade de aproximar os jovens das próprias origens culturais.
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“Entendemos que era essencial incluir uma atividade que dialogasse diretamente com as raízes linguísticas da Amazônia e ajudasse os estudantes a reconhecerem sua própria identidade cultural”, explicou.
Além do ensino da língua, o projeto promove oficinas de produção textual, slam, música, cinema, moda, animação e outras atividades ligadas à cultura regional. A iniciativa também busca descentralizar o acesso à cultura e à formação artística, levando programação gratuita para municípios que, muitas vezes, recebem poucas ações desse tipo.

As oficinas de Nheengatu são conduzidas por Yaguarê Yamã, escritor, professor e integrante da Academia da Língua Nheengatu. Durante os encontros, os estudantes aprendem expressões tradicionais e descobrem como a língua está presente em palavras usadas no cotidiano amazônico.
“Quando os alunos percebem que já utilizam termos do Nheengatu sem saber, isso provoca uma reconexão com a própria história e identidade”, destacou o educador.
Entre as expressões ensinadas estão frases como “ikatú reté” (tudo bem), “té kurí” (tchau) e “açaiçú ?dé” (eu te amo). Para Yaguarê, o Nheengatu representa muito mais do que uma língua indígena.

O projeto já realizou atividades em Coari, Anori e Anamã e seguirá
para outras cidades do estado até o dia 18 de maio, promovendo
debates sobre identidade amazônica, pertencimento e
valorização cultural. Foto: Divulgação
“Ela faz parte da identidade amazônica e continua viva na cultura, nos nomes dos rios, peixes, árvores e lugares da região”, afirmou.
O impacto da oficina também foi percebido pelos estudantes. A aluna Ludmila Melo, de 15 anos, relatou que a experiência ajudou a enxergar melhor suas próprias raízes.
“Foi como descobrir de onde a gente veio. A gente usa muitas palavras sem imaginar que fazem parte da nossa história”, contou.
A diretora da Escola Estadual Prefeito Alexandre Montoril, Teresa Cristina Gama dos Santos, destacou que o projeto amplia o interesse dos alunos pela leitura e pela cultura regional.
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Após passar pelos municípios do Médio Solimões, o Amazônia das Palavras seguirá com programação em Codajás, Manacapuru, Iranduba e Manaus, reunindo oficinas, apresentações culturais e atividades abertas ao público.