Alterações nos vasos da retina podem indicar danos provocados pela hipertensão, mas muitos desses sinais só são identificados durante o exame de fundo de olho
A pressão alta costuma evoluir de forma silenciosa e pode permanecer durante anos sem provocar sintomas claros. Mesmo sem sinais aparentes, porém, a hipertensão pode causar alterações em diferentes órgãos do corpo, inclusive nos olhos.
A retina é uma das regiões que permitem ao médico observar diretamente pequenos vasos sanguíneos. Por meio do exame de fundo de olho, o oftalmologista consegue identificar mudanças que podem estar relacionadas aos efeitos da pressão arterial elevada.
Isso não significa que seja possível descobrir a hipertensão simplesmente olhando para os olhos. Na maioria dos casos, a doença não provoca alterações visíveis para o próprio paciente. Alguns sinais só aparecem durante uma avaliação oftalmológica.
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A relação existe porque os vasos da retina podem sofrer com a pressão elevada ao longo do tempo. Esse conjunto de alterações é conhecido como retinopatia hipertensiva.
POR QUE A RETINA PODE MOSTRAR OS EFEITOS DA HIPERTENSÃO?
A retina fica localizada na parte posterior do olho e possui uma extensa rede de pequenos vasos. Durante o exame oftalmológico, essas estruturas podem ser observadas diretamente, sem a necessidade de procedimentos invasivos.
Como os vasos da retina apresentam características semelhantes às encontradas em outras regiões do organismo, alterações nessa área podem ajudar o médico a avaliar possíveis danos relacionados à saúde vascular.
Quando a pressão permanece elevada por períodos prolongados, as artérias da retina podem sofrer alterações no calibre e na aparência.
CINCO SINAIS QUE PODEM ESTAR RELACIONADOS À PRESSÃO ALTA
Nem todas as alterações são percebidas pelo paciente. Algumas só podem ser identificadas pelo médico durante o exame.
1. VISÃO EMBAÇADA
A visão embaçada pode aparecer em situações de pressão arterial muito elevada. Entretanto, o sintoma também possui diversas outras causas, incluindo problemas de refração, diabetes e fadiga visual.
Por isso, episódios frequentes ou alterações repentinas na visão precisam ser avaliados por um profissional.
2. MANCHAS VERMELHAS NO BRANCO DOS OLHOS
A hemorragia subconjuntival acontece quando um pequeno vaso sanguíneo se rompe sob a membrana que recobre a parte branca do olho.
A alteração geralmente não causa dor e pode desaparecer espontaneamente em uma ou duas semanas. A pressão alta está entre os fatores que podem estar associados ao problema, mas não é a única causa.
Quando as manchas aparecem repetidamente, é importante verificar a pressão arterial e buscar orientação médica.
3. PONTOS ESCUROS OU FLASHES DE LUZ
O surgimento de pontos escuros, manchas ou flashes pode estar relacionado a diferentes alterações oculares. Em alguns casos, esses sintomas podem ocorrer devido a alterações ou sangramentos na retina.
Quando flashes ou muitos pontos novos aparecem de maneira repentina, principalmente acompanhados de redução da visão, existe a possibilidade de descolamento de retina, uma situação que exige atendimento oftalmológico urgente.
4. ESTREITAMENTO DAS ARTÉRIAS DA RETINA
Essa alteração geralmente não pode ser percebida pela própria pessoa. Durante o exame de fundo de olho, o médico consegue observar se as artérias da retina apresentam alterações no calibre.
O estreitamento dos vasos pode estar relacionado aos efeitos da hipertensão prolongada e funcionar como um sinal de comprometimento vascular.
5. INCHAÇO DO NERVO ÓPTICO
O inchaço do nervo óptico é outro achado que depende da avaliação médica.
Quando aparece associado a uma elevação importante da pressão arterial, pode indicar uma situação grave e exigir atendimento de emergência.
O QUE OS ESTUDOS DIZEM SOBRE OS OLHOS E O RISCO CARDIOVASCULAR?
A retina também vem sendo estudada como uma possível fonte de informações sobre a saúde dos vasos sanguíneos.
Uma revisão científica publicada na revista British Medical Bulletin analisou sinais de retinopatia hipertensiva como indicadores de risco cardiovascular. O trabalho aponta associações entre determinadas alterações na retina, como microaneurismas, hemorragias e manchas algodonosas, e alterações cerebrovasculares que podem existir mesmo sem sintomas aparentes.
A revisão também relaciona esses sinais a maior risco de eventos cardiovasculares, incluindo AVC e insuficiência cardíaca.
Esses achados, porém, não significam que um exame de fundo de olho consiga diagnosticar sozinho doenças cardíacas ou prever um evento cardiovascular. A avaliação precisa considerar a pressão arterial e outros fatores de risco do paciente.
EXAME DOS OLHOS NÃO SUBSTITUI A AFERIÇÃO DA PRESSÃO
Apesar de a retina fornecer informações importantes, não é recomendado esperar o surgimento de alterações nos olhos para investigar a hipertensão.
A maioria das pessoas com pressão alta não apresenta sintomas. Além disso, as alterações na retina podem surgir depois de um período prolongado de pressão descontrolada.
A melhor maneira de acompanhar a pressão arterial é realizar medições regularmente e procurar avaliação médica quando os valores estiverem elevados.
Em medidas realizadas no consultório, valores de 140 por 90 mmHg, ou 14 por 9, ou superiores são considerados elevados e precisam ser avaliados por um profissional. Já valores a partir de 180 por 120 mmHg, especialmente quando acompanhados de sintomas, podem representar uma situação de emergência.
QUEM PRECISA FICAR ATENTO AO EXAME DE FUNDO DE OLHO?
O exame é geralmente simples e indolor. Em muitos casos, o oftalmologista utiliza colírios para dilatar as pupilas e conseguir visualizar melhor a retina.
A necessidade e a frequência do exame dependem das condições de cada pessoa. A avaliação pode ser especialmente importante para:
pessoas diagnosticadas com hipertensão;
pacientes com diabetes;
pessoas com colesterol elevado;
indivíduos com obesidade;
fumantes;
adultos mais velhos;
pessoas com histórico familiar de doenças cardiovasculares ou problemas oculares.
Quem faz tratamento para pressão alta e não realiza acompanhamento oftalmológico há bastante tempo pode conversar com o médico sobre a necessidade de avaliar a retina.
QUANDO OS SINTOMAS NOS OLHOS EXIGEM ATENDIMENTO URGENTE?
Algumas alterações visuais podem indicar problemas graves e não devem ser ignoradas.
Procure atendimento de urgência diante de sinais como:
perda súbita, total ou parcial, da visão;
visão dupla que aparece repentinamente;
sensação de uma cortina escura cobrindo parte do campo visual;
dor intensa nos olhos;
surgimento repentino de flashes de luz;
aparecimento de muitos pontos ou manchas novas, principalmente quando acompanhados de redução da visão.
Dependendo do quadro, esses sintomas podem estar relacionados a problemas como descolamento de retina, AVC ou complicações associadas à pressão arterial muito elevada.
MEDIR A PRESSÃO CONTINUA SENDO A PRINCIPAL FORMA DE PREVENÇÃO
Os olhos podem fornecer pistas sobre possíveis efeitos da hipertensão, mas não substituem a aferição da pressão arterial.
Medir a pressão regularmente, manter acompanhamento médico e realizar exames indicados para cada caso são medidas importantes para reduzir o risco de complicações.
Uma rotina com menos sal, atividade física regular, controle do peso, redução do consumo de álcool e abandono do cigarro também pode contribuir para o controle da pressão.
Quando existe indicação médica, essas medidas devem ser associadas ao tratamento prescrito pelo profissional de saúde.
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Esta matéria tem caráter informativo e não substitui diagnóstico ou acompanhamento médico. Diante de alterações repentinas na visão ou pressão arterial muito elevada, procure atendimento de urgência.