Organização Mundial da Saúde classifica epidemia como “extremamente grave” e teme expansão da doença para países vizinhos.
A Organização Mundial da Saúde alertou nesta segunda-feira (25) que a epidemia de ebola na República Democrática do Congo se tornou uma situação “extremamente grave e difícil”, com avanço acelerado da doença e risco elevado de disseminação para outros países africanos.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que o cenário é preocupante devido à combinação de fatores como detecção tardia dos primeiros casos, insegurança nas áreas afetadas, desconfiança da população em relação às autoridades e ausência de vacinas aprovadas para a cepa Bundibugyo, responsável pelo atual surto.
Durante uma reunião ministerial organizada pelos Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças, Tedros declarou que a resposta internacional ainda não consegue acompanhar a velocidade de propagação da doença.
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Segundo dados apresentados pela OMS, já foram confirmados 101 casos e dez mortes na RDC. No entanto, a organização acredita que a dimensão real da epidemia seja muito maior, com cerca de 900 casos suspeitos e aproximadamente 220 mortes ainda sob investigação.
A República Democrática do Congo declarou oficialmente o novo surto de ebola em 15 de maio. Na última semana, a OMS elevou o nível de risco da epidemia de “alto” para “muito alto”.
O diretor da entidade também fez um apelo para que países vizinhos reforcem imediatamente medidas de prevenção e vigilância sanitária, já que ao menos dez países africanos são considerados sob alto risco de disseminação da doença.
O ebola é uma doença viral grave transmitida pelo contato direto com fluidos corporais infectados. A enfermidade pode provocar febre hemorrágica, falência múltipla de órgãos e morte. Segundo a OMS, o vírus já causou mais de 15 mil mortes na África nas últimas cinco décadas.
Apesar de apresentar menor capacidade de transmissão em comparação com doenças como covid-19 e sarampo, o ebola possui alta taxa de mortalidade, variando entre 25% e 90%, dependendo da cepa e das condições de tratamento.
Outro desafio enfrentado pelas autoridades é a instabilidade na província de Ituri, no nordeste da RDC, onde o surto foi identificado inicialmente. A região enfrenta conflitos armados frequentes e forte desconfiança da população local em relação ao governo e às equipes de saúde.
A tensão aumentou após um grupo invadir um hospital em Mongbwalu para retirar o corpo de um líder religioso que havia morrido infectado pelo vírus. Segundo autoridades locais, soldados precisaram intervir e dispersar a multidão com tiros de advertência.
Tedros informou que a OMS deve ampliar o envio de recursos, profissionais de saúde e suprimentos médicos para apoiar as autoridades congolesas e acelerar pesquisas sobre possíveis tratamentos para a cepa Bundibugyo.
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Mesmo diante do agravamento da crise sanitária, o diretor-geral da OMS afirmou que a comunidade internacional conhece o comportamento do vírus e possui experiência para controlar a epidemia, embora reconheça que a situação ainda deve piorar antes de apresentar sinais de melhora.