Centro de Triagem de Animais Silvestres suspendeu o recebimento de novos resgates após confirmação da doença em macacos-prego e enfrenta impasse sobre manutenção da unidade.
Uma onça-parda resgatada de um cativeiro ilegal em uma comunidade da Zona Sul do Rio de Janeiro está entre os quase mil animais acolhidos no Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas-RJ), em Seropédica. A unidade do Ibama, responsável pela recuperação e reabilitação de animais silvestres no estado, está temporariamente fechada após um surto de tuberculose atingir parte dos macacos-prego mantidos no local.
O felino, um macho de três anos, foi resgatado pela Polícia Federal em setembro de 2023, quando ainda era filhote. Na época, investigações apontaram que o animal era mantido em um cativeiro improvisado no Morro Pavão-Pavãozinho, em Copacabana, e seria vendido ilegalmente por cerca de R$ 20 mil. A operação contou com apoio da Operação Foco, da Polícia Militar e de moradores da comunidade. Apesar da apreensão, ninguém foi preso.
Além dessa onça, outra fêmea da mesma espécie, também com três anos de idade, vive no Cetas-RJ. Juntas, elas consomem cerca de seis quilos de carne por dia e fazem parte de um grupo de animais que deverá receber uma nova destinação por meio do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e do Governo do Estado.
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O centro abriga atualmente 989 animais e interrompeu completamente a entrada e saída de espécimes após a confirmação de tuberculose em macacos-prego. Pelo menos três primatas morreram em decorrência da doença, detectada por exames realizados com apoio da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).
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Segundo o superintendente do Ibama no Rio de Janeiro, Rogério Rocco, todos os servidores e colaboradores passaram por exames preventivos. Embora um teste inicial tenha indicado contato com a bactéria em alguns profissionais, exames complementares descartaram casos da doença entre os trabalhadores.
Como medida de segurança, a unidade foi dividida em áreas de acesso restrito, enquanto funcionários passaram a utilizar equipamentos de proteção individual, como máscaras N95. Novos testes também serão realizados nos macacos que permanecem no local para monitorar a evolução do surto.
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Foto: Reprodução
O fechamento do Cetas-RJ também ocorre em meio a um impasse entre Ibama e Inea. Um acordo firmado em julho de 2024 previa que o governo estadual fornecesse alimentos, medicamentos, exames laboratoriais e profissionais especializados para auxiliar no funcionamento da unidade. Segundo o Ibama, grande parte dessas obrigações ainda não foi cumprida, o que levou ao encerramento do recebimento de animais apreendidos pelas autoridades estaduais antes mesmo da crise sanitária.
Em nota, o Inea informou que vem cumprindo gradualmente os compromissos assumidos e destacou que disponibilizou profissionais para atuar no centro desde setembro de 2024. O órgão acrescentou que, enquanto o Cetas permanecer fechado, os animais resgatados estão sendo encaminhados emergencialmente para outras instituições, conforme a espécie, a localização e as condições clínicas de cada caso.