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Oncoclínicas tem prejuízo de R$ 3,67 bilhões, e diretores falam em 'incertezas' sobre continuidade operacional
Foto: Divulgação

Crise de caixa impacta operações e levanta dúvidas sobre continuidade da empresa.

A rede de clínicas Oncoclínicas encerrou o ano de 2025 com um prejuízo de R$ 3,67 bilhões, ampliando significativamente as perdas em relação ao ano anterior. O resultado evidencia o agravamento da situação financeira da companhia, que também apresenta capital circulante negativo em R$ 2,31 bilhões — ou seja, possui mais dívidas de curto prazo do que recursos disponíveis.

 

Grande parte das obrigações financeiras, cerca de R$ 3,2 bilhões, está relacionada a empréstimos e financiamentos. Além disso, a empresa acumula débitos de aproximadamente R$ 1,1 bilhão com fornecedores, o que já começa a refletir diretamente na operação das unidades.

 

Relatórios da consultoria Deloitte apontam que o cenário é consequência, principalmente, do descumprimento de índices financeiros previstos em contratos de dívida. Isso levou à reclassificação de parte relevante dos débitos para o curto prazo, aumentando a pressão sobre o caixa e podendo antecipar cobranças por parte dos credores.

 

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Em comunicado, a própria diretoria reconheceu que a empresa enfrenta “incertezas significativas” quanto à sua continuidade operacional. Entre os fatores que contribuíram para o resultado negativo estão perdas de R$ 430,8 milhões em investimentos ligados ao Banco Master, além da inadimplência de R$ 861 milhões da Unimed Ferj.

 

A companhia também atribui a deterioração financeira ao cenário macroeconômico de 2025, marcado por juros elevados e aumento da inadimplência, o que impactou diretamente sua capacidade de financiamento.

 

Diante da situação, a Oncoclínicas avalia recorrer à Justiça para obter proteção temporária contra credores, enquanto negocia alternativas para reforçar o caixa.

 

Entre as possibilidades em análise está um aporte de até R$ 500 milhões do grupo Porto Seguro, que pode resultar na criação de uma nova empresa (NewCo) focada exclusivamente nas operações oncológicas. O plano prevê a participação relevante da Porto no negócio e a possibilidade de emissão de debêntures.

 

Outra proposta envolve o fundo americano Mak Capital, que estuda investir cerca de R$ 500 milhões, condicionado a mudanças na governança da companhia.

 

Em meio às negociações, o então CEO, Marcelo Gasparino da Silva, deixou o cargo, reforçando o momento de instabilidade na gestão.

 

A crise financeira já afeta diretamente pacientes da rede. Relatos nas redes sociais indicam adiamentos de sessões de quimioterapia, radioterapia e imunoterapia devido à falta de medicamentos em algumas unidades.

 

Pacientes e familiares relatam dificuldades na continuidade dos tratamentos, com remarcações frequentes e incertezas sobre o atendimento. Em nota, a empresa confirmou instabilidades no abastecimento de alguns medicamentos, mas afirmou que trabalha para normalizar a situação.

 

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O cenário levanta preocupações sobre a capacidade da rede em manter a prestação de serviços em meio à crise, enquanto negociações com investidores e credores seguem em andamento. 

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