Um alto nível de umidade no ambiente e a ausência de vento podem fazer com que, por exemplo, uma temperatura extrema de 37 ºC seja mais prejudicial à saúde
Os alertas dos serviços meteorológicos sobre ondas de calor devem ser baseados não apenas nas temperaturas, mas devem incluir índices de estresse térmico que levem em consideração fatores como umidade, vento e exposição ao sol, de acordo com um estudo científico publicado recentemente.
Um alto nível de umidade no ambiente e a ausência de vento podem fazer com que, por exemplo, uma temperatura extrema de 37 ºC seja mais prejudicial à saúde do que a mesma temperatura em um ambiente seco, dificultando o resfriamento do corpo humano.
Este é um dos principais pontos do estudo realizado por uma equipe científica internacional do Instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal) e da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres (LSHTM) publicado na revista Npj | Ciência climática e atmosférica da natureza.Cerca de 19.000 pessoas morrem a cada ano devido ao estresse causado pelo calor associado ao trabalho em condições excessivamente quentes, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), que pede maior proteção aos trabalhadores em todo o mundo contra um "assassino invisível" que aumenta à medida que o aquecimento global aumenta.
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Um relatório publicado pela OIT no ano passado alerta que regiões não acostumadas ao calor extremo, como a Europa, "enfrentam riscos maiores". "O problema está principalmente na adaptação a essa nova realidade, que está aumentando mais rapidamente em regiões como a Europa do que em países mais quentes", disse o especialista da OIT Balint Nafradi, um dos autores do relatório. Um artigo da National Geographic observa que "quando o corpo humano é exposto a condições climáticas que alteram sua temperatura interna ideal (que varia entre 36,5ºC e 37ºC), a pessoa pode sofrer estresse térmico. Isso pode ocorrer tanto em condições extremas de frio quanto de calor."
Sobre o assunto, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil cita um estudo da Fiocruz (instituição do governo brasileiro dedicada à pesquisa em ciências biológicas e da saúde) que alerta para “os riscos potenciais de aumento da mortalidade por doenças cardiovasculares e respiratórias devido ao estresse térmico”.

A OIT, sediada em Genebra, estima que melhorar as medidas de segurança e saúde para prevenir lesões relacionadas ao calor no local de trabalho poderia economizar até US$ 361 bilhões em todo o mundo em perdas relacionadas a esses acidentes e despesas médicas.
Nafradi diz que o problema não deve ser levado em conta apenas durante as ondas de calor, já que o estudo mostrou que " nove em cada dez trabalhadores expostos ao estresse térmico o fazem durante períodos em que uma dessas ondas não é oficialmente anunciada". "Concentrar-se apenas nas ondas de calor deixa muitos trabalhadores vulneráveis", alertou o coautor do estudo.

Fotos: Reprodução
O calor adoece e mata de diferentes formas. Um estudo do grupo de Camilo Mora, da Universidade do Havaí, lista 27 formas pelas quais ele pode ser fatal. São cinco mecanismos fisiológicos podem ser deflagrados pela temperatura elevada: isquemia (redução ou interrupção da irrigação sanguínea), citotoxidade (envenenamento das células), inflamação, coagulação intravascular disseminada (formação de trombos que podem destruir órgãos) e rabdomiólise (síndrome causada pela destruição das fibras musculares).O calor pode impactar gravemente sete órgãos: cérebro, coração, intestinos, fígado, rins, pulmões e pâncreas.
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Quando o corpo é aquecido, o hipotálamo ativa uma resposta cardiovascular, que dilata os vasos sanguíneos e redireciona o sangue para a pele, onde o calor é dissipado para o ambiente. O problema é que isso prejudica a irrigação de outros órgãos, como o pâncreas. Com a baixa oxigenação, o organismo libera moléculas tóxicas.
Fonte: O Globo