Altas temperaturas estão ligadas a partos prematuros e a complicações, e a ONU pede proteção para gestantes nos planos climáticos atuais
O aumento das temperaturas em diversas partes do mundo tem ampliado a preocupação de autoridades de saúde com os efeitos do calor extremo durante a gravidez. A Organização das Nações Unidas (ONU) alerta que gestantes e recém-nascidos estão entre os grupos mais vulneráveis aos impactos das ondas de calor, que podem provocar complicações antes, durante e depois do parto.
A preocupação está relacionada ao fato de que a gravidez provoca mudanças no funcionamento do organismo da mulher, aumentando a necessidade de cuidados com a hidratação e a regulação da temperatura corporal. Quando a gestante fica exposta por períodos prolongados a ambientes muito quentes, o corpo pode enfrentar dificuldades para dissipar o calor, especialmente quando há pouca ventilação, falta de água ou esforço físico intenso.
O problema ganha ainda mais importância diante do avanço das mudanças climáticas e da ocorrência de períodos de calor intenso em diferentes regiões. Para a ONU, governos e sistemas de saúde precisam considerar os efeitos das altas temperaturas sobre a saúde materna e neonatal ao elaborar políticas de prevenção e resposta a eventos climáticos extremos.
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O alerta foi apresentado por Simon Stiell, responsável pela área de ação climática da ONU, durante um evento realizado em Fiji. Ele defendeu que a proteção de mulheres grávidas e recém-nascidos seja incorporada às estratégias climáticas, com medidas que ajudem a reduzir os riscos e garantam atendimento adequado às pessoas mais vulneráveis.
RISCOS PARA A GESTAÇÃO
A exposição prolongada a temperaturas muito elevadas está relacionada a problemas como desidratação, aumento da pressão arterial e estresse térmico. Entre os possíveis impactos estão parto prematuro, baixo peso ao nascer e aumento do risco de morte do bebê antes do nascimento.

ALERTA DA ONU
Simon Stiell ressaltou a necessidade de os países ampliarem as ações de prevenção diante dos riscos associados ao calor extremo. A proposta é integrar as políticas de saúde às estratégias de enfrentamento das mudanças climáticas, garantindo que gestantes e recém-nascidos sejam contemplados nos planos de emergência.
PREOCUPAÇÃO ENTRE PROFISSIONAIS
Uma pesquisa encomendada pela fundação Wellcome com profissionais de saúde materna de cinco países mostrou que 73% dos entrevistados observaram aumento nas complicações relacionadas ao calor entre gestantes nos últimos cinco anos. Outros 81% disseram estar preocupados ou muito preocupados com os efeitos das altas temperaturas sobre mães e bebês.

QUEM ESTÁ MAIS VULNERÁVEL
O risco pode ser maior para gestantes que trabalham ao ar livre, vivem em regiões muito quentes ou têm acesso limitado a água, energia elétrica, ambientes adequados para se proteger do calor e serviços de saúde. Essas condições podem dificultar a prevenção durante períodos de temperaturas extremas.
IMPACTOS PARA O BEBÊ
O calor intenso também pode afetar a saúde do bebê. Alterações na temperatura corporal e episódios de desidratação podem aumentar a sobrecarga sobre o organismo da gestante e contribuir para complicações que exigem acompanhamento médico.

Fotos: Reprodução
MEDIDAS DE PROTEÇÃO
A ONU defende que os países criem sistemas de alerta específicos para ondas de calor, capacitem profissionais de saúde e melhorem a estrutura dos serviços de atendimento. Também é importante orientar gestantes sobre como reduzir a exposição às altas temperaturas e reconhecer sinais de mal-estar, procurando assistência médica quando necessário.
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MUDANÇAS CLIMÁTICAS E SAÚDE
O alerta reforça que os efeitos das mudanças climáticas vão além dos impactos ambientais. O aumento das temperaturas também representa um desafio para a saúde pública, com consequências que podem atingir de forma especialmente preocupante mulheres grávidas e crianças nos primeiros momentos de vida.