A operação realizada na manhã desta quinta-feira, 1º de outubro, na Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) ganhou novos contornos ao longo do dia.
O que inicialmente apareceu como uma operação da Polícia Federal revelou-se uma investigação de natureza eleitoral que apura uma suspeita grave: o possível uso de servidores e veículos da estrutura da Segurança Pública do Estado em benefício de campanha eleitoral.
O PORTAL DO ZACARIAS faz agora um resumão do que já se sabe sobre o caso.
INVESTIGAÇÃO É ELEITORAL
Um primeiro ponto precisa ficar claro.
A Polícia Federal participou das diligências, mas informou que não é a responsável pela investigação.
Segundo o Ministério Público do Amazonas (MPAM), informações levantadas por setores do próprio órgão foram encaminhadas ao Ministério Público Federal (MPF).
O pedido de busca e apreensão foi então requerido pelo MPF, e a investigação está sob condução do Ministério Público Eleitoral.
A PF entrou na operação dando apoio ao cumprimento das medidas.
SUSPEITA É DE USO DA MÁQUINA PÚBLICA
O coração da investigação está aqui.
A apuração busca esclarecer se servidores e veículos vinculados à estrutura da Segurança Pública do Amazonas teriam sido utilizados em benefício de campanha eleitoral.
Até agora, porém, as autoridades não divulgaram a íntegra da decisão judicial nem detalharam publicamente quais servidores teriam sido usados, quais veículos estariam envolvidos ou como teria ocorrido o suposto emprego da máquina pública.
EX-SECRETÁRIO ESTÁ ENTRE OS ALVOS
Um dos principais nomes atingidos pelas buscas é o coronel Marcus Vinícius Oliveira de Almeida, ex-secretário de Segurança Pública do Amazonas.
Vinícius Almeida deixou o comando da pasta e atualmente disputa uma vaga de deputado estadual pelo Podemos.
As diligências chegaram tanto à sede da SSP-AM quanto a endereço ligado ao ex-secretário em Adrianópolis, na Zona Centro-Sul de Manaus. Também houve movimentação de equipes em um residencial na Avenida Torquato Tapajós.
QUATRO OU SEIS MANDADOS?
Durante as primeiras horas da operação surgiu uma divergência.
Informações iniciais falavam em seis ordens judiciais. Posteriormente, reportagens passaram a apontar quatro mandados de busca e apreensão.
Até o momento, o número total não foi detalhado oficialmente pela Polícia Federal. Por isso, é preciso cautela com esse dado.
AGENTES ENTRARAM EM SETORES DA SSP
Na sede da Secretaria de Segurança, agentes realizaram diligências em diferentes setores.
Segundo informações divulgadas durante a manhã, servidores chegaram a ser reunidos no auditório enquanto as equipes percorriam dependências do órgão.
Há também relatos de diligências na Corregedoria da SSP, mas esse ponto ainda não foi detalhado oficialmente pelas autoridades responsáveis pela investigação.
Os atendimentos ao público chegaram a ser temporariamente suspensos durante a operação.
DINHEIRO E VINHOS TERIAM SIDO APREENDIDOS
Outro capítulo chamou atenção.
O BNC Amazonas informou, atribuindo a informação a fontes federais, que uma quantidade de dinheiro ainda não divulgada teria sido apreendida na residência do ex-secretário.
O veículo também informou que garrafas de vinho teriam sido encontradas guardadas em um alçapão da residência.
Na SSP-AM, documentos teriam sido apreendidos.
É importante fazer uma ressalva: até o momento, não houve divulgação oficial detalhando o valor, a origem ou eventual relação do dinheiro com os fatos investigados.
Portanto, a apreensão deve ser tratada como informação atribuída às fontes ouvidas pelo BNC, e não como conclusão oficial do Ministério Público Eleitoral.
HOUVE PRISÃO? HÁ VERSÕES CONFLITANTES
Durante a manhã também circularam informações de que Vinícius Almeida teria sido detido após um suposto episódio de desacato.
Alguns veículos publicaram a informação.
Mas a assessoria do próprio Vinícius Almeida negou que ele tenha sido preso ou detido.
Diante das versões conflitantes e da ausência, até agora, de confirmação oficial conclusiva sobre esse episódio, não é possível tratar eventual prisão ou detenção como fato definitivamente estabelecido.
VINÍCIUS SE MANIFESTA
Depois das buscas, Vinícius Almeida falou publicamente sobre o episódio.
O ex-secretário disse acreditar na Justiça Eleitoral e afirmou que terá oportunidade de apresentar esclarecimentos no âmbito da investigação.
A busca e apreensão, por si só, não significa condenação nem comprovação das suspeitas investigadas.
AS PERGUNTAS QUE AINDA ESTÃO SEM RESPOSTA
Apesar de tudo o que já veio à tona, ainda falta esclarecer justamente a parte mais importante da história.
Quais servidores teriam sido usados?
Quais veículos?
Em benefício de qual campanha?
Quem teria autorizado?
Durante quanto tempo isso teria acontecido?
Que provas ou indícios foram apresentados à Justiça para justificar as buscas?
E qual é exatamente o material apreendido nesta quinta-feira?
Essas respostas podem estar na decisão judicial que autorizou as medidas e no material recolhido durante as diligências.
Até agora, a íntegra dessa decisão não foi tornada pública pelas autoridades responsáveis pela investigação.
A operação ocorre num momento especialmente sensível: faltam apenas três dias para o primeiro turno das eleições de domingo, 4 de outubro.
Por enquanto, portanto, há uma investigação eleitoral, buscas realizadas, material recolhido e suspeitas sendo apuradas.
O próximo passo será saber o que existe por trás dos mandados — e se as provas recolhidas confirmam ou não a suspeita de que a estrutura da Segurança Pública do Amazonas tenha sido colocada a serviço de interesses eleitorais.