Investigação aponta uso de empresas de fachada, fintech e estabelecimentos fictícios, incluindo lojas de artigos de tarô, para movimentar dinheiro de apostas ilegais em diferentes estados
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, nesta quinta-feira (5), a Operação Azzardo, para desarticular um esquema de exploração de apostas clandestinas e lavagem de dinheiro que teria movimentado até R$ 3,4 bilhões. A investigação identificou uma estrutura financeira que utilizava empresas de fachada para ocultar recursos provenientes de plataformas ilegais de apostas esportivas e jogos virtuais.
Segundo a apuração da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/Decor), os pagamentos realizados pelos apostadores por meio de Pix eram direcionados a empresas registradas em nome de terceiros, conhecidos como laranjas. Entre os estabelecimentos utilizados para disfarçar as movimentações estavam lojas de artigos de tarô e clínicas de assistência psicossocial que, na prática, não apresentavam atividades comerciais compatíveis com os registros.
A investigação identificou empresas cadastradas em endereços de Sobradinho, Sobradinho II e Ceilândia, no Distrito Federal. Em alguns casos, os locais eram imóveis vazios ou estabelecimentos sem funcionamento. Em um único lote em Ceilândia, dez empresas diferentes compartilhavam o mesmo número de telefone corporativo.
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O esquema também contava com a participação de uma fintech paulista autorizada pelo Banco Central, por meio da qual teriam circulado aproximadamente R$ 1 bilhão. As empresas investigadas foram abertas principalmente entre fevereiro e julho de 2026, com estruturas semelhantes e alterações frequentes nos representantes responsáveis pelas movimentações financeiras.
De acordo com os investigadores, parte dos recursos era posteriormente convertida em criptoativos, estratégia que dificultava o rastreamento da origem e do destino do dinheiro. A apuração contou com análise conjunta da Polícia Civil e da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, que identificaram irregularidades nas operações das plataformas envolvidas.
A Operação Azzardo mobilizou aproximadamente 200 policiais civis para cumprir 50 mandados de busca e apreensão. As diligências ocorreram no Distrito Federal e em outros cinco estados: São Paulo, Goiás, Paraná, Ceará e Rio Grande do Norte. A investigação também alcançou endereços ligados ao mercado financeiro, incluindo estabelecimentos na região da Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo.
Por determinação do Juízo das Garantias de Sobradinho, foram autorizados o bloqueio de até R$ 3,483 bilhões em bens e valores, a suspensão de 100 empresas e a quebra dos sigilos bancário e fiscal de 82 pessoas físicas e 83 pessoas jurídicas. Também foram impostas restrições à abertura de novas contas bancárias por 90 dias e medidas de sequestro patrimonial.
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As autoridades investigam a participação dos envolvidos na exploração de apostas sem autorização federal e na lavagem de capitais. O caso segue em apuração para identificar todos os responsáveis pela estrutura financeira e esclarecer a extensão das movimentações realizadas pelo grupo.