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Operação prende suspeitos de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo policiais civis em São Paulo
Foto: Divulgação

Investigação do Ministério Público e da Polícia Federal aponta esquema de propina, destruição de provas e uso de empresas de fachada

Uma operação conjunta do Ministério Público de São Paulo, da Polícia Federal e da Corregedoria Geral da Polícia Civil resultou, nesta quinta-feira (5), na prisão de pelo menos seis pessoas suspeitas de participação em um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro dentro da Polícia Civil paulista.

 

Entre os detidos estão três policiais civis, uma doleira e outros dois investigados. A ação ainda estava em andamento até a última atualização das autoridades.

 

As investigações são conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público. O inquérito apura a atuação de policiais, advogados e operadores financeiros que teriam formado uma rede para negociar a paralisação de investigações mediante pagamento de propina.

 

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De acordo com decisão do juiz Paulo Fernando Deroma de Mello, os envolvidos teriam transformado delegacias especializadas em um ambiente de negociações ilegais para garantir a impunidade de investigados. A Justiça autorizou prisões preventivas, mandados de busca e apreensão, além do bloqueio de bens e valores ligados ao grupo.

 

Segundo os investigadores, o esquema funcionava de duas maneiras principais. Em uma delas, policiais solicitavam relatórios de inteligência financeira (RIFs) para identificar pessoas ou empresas com capacidade financeira. Após a análise desses dados, eram enviadas intimações e iniciadas cobranças de propina para que as investigações fossem interrompidas.

 

Em outra frente, doleiros que tomavam conhecimento de investigações ofereciam pagamentos ilícitos para que procedimentos policiais fossem paralisados. Há também indícios de destruição de provas, como a substituição de discos rígidos apreendidos por dispositivos vazios.

 

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que a Corregedoria da Polícia Civil participa da operação e destacou que a instituição não tolera desvios de conduta. O órgão afirmou ainda que adotará todas as medidas legais e disciplinares caso as irregularidades sejam confirmadas.

 

ESQUEMA DE LAVAGEM DE DINHEIRO

 

As investigações apontam que o grupo utilizava mecanismos complexos para ocultar a origem de recursos ilícitos. Entre as estratégias identificadas estão o uso de empresas de fachada e a simulação de operações de importação para justificar movimentações financeiras.

 

Outro método investigado envolve a conversão de dinheiro em espécie em créditos de vales-refeição, realizada por meio de estabelecimentos comerciais fictícios.

 

Dinheiro encontrado em gaveta de policial alvo de operação contra corrupção na Polícia Civil de SP — Foto: Divulgação

Foto: Reprodução

 

Os doleiros Leonardo Meirelles e Meire Poza, que já foram investigados na Operação Lava Jato, são apontados como operadores financeiros do esquema. Meire Poza está entre os presos na operação desta quinta-feira. Já Meirelles também teve mandado de prisão expedido, mas ainda não foi localizado. Ele já era procurado em outro processo no qual havia sido condenado. A defesa dos investigados não foi localizada.

 

ATUAÇÃO EM DEPARTAMENTOS DA POLÍCIA CIVIL

 

A decisão judicial menciona episódios de corrupção em unidades consideradas estratégicas da Polícia Civil, como o Departamento de Investigações Criminais (Deic) e o Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC).

 

Entre os casos relatados, investigados teriam tido acesso às instalações do DPPC para trocar um HD apreendido por outro sem dados que pudessem incriminar integrantes da organização.

 

A contadora e doleira Meire Poza durante depoimento no Senado Federal, durante a operação Lava Jato, em agosto de 2014. — Foto: Pedro França/Agência Senado

Foto: Reprodução

 

Há ainda relatos de pagamentos de propina realizados no hangar do Serviço Aerotático da Polícia Civil, no Campo de Marte, além de casos de extorsão no âmbito do 16º Distrito Policial, na Vila Clementino. Em um dos episódios descritos pela Promotoria, policiais teriam exigido R$ 5 milhões para interromper um inquérito.

 

Ao todo, a Justiça decretou a prisão de 11 investigados e autorizou o cumprimento de 23 mandados de busca e apreensão em residências, escritórios de advocacia, empresas de fachada e unidades policiais ligadas ao caso.

 

ORIGEM DAS INVESTIGAÇÕES

A operação é um desdobramento da Operação Recidere, deflagrada em 2023 para investigar um esquema bilionário de envio de dinheiro ilícito ao exterior.

 

Na época, os investigadores identificaram movimentações que somaram cerca de R$ 4 bilhões em apenas dois anos, realizadas por meio de dezenas de contas bancárias ligadas a empresas registradas em nome de laranjas.

 

A análise de celulares apreendidos durante essa investigação revelou indícios de que operadores financeiros mantinham contatos com policiais civis para interferir em investigações e cobrar propina de alvos de inquéritos.

 

Outro desdobramento foi a Operação Fractal, que investigou um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo empresas fictícias, contratos simulados e o uso de criptomoedas e outros ativos digitais para dificultar o rastreamento dos valores.

 

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Durante a apuração, surgiram indícios de fraude processual e corrupção envolvendo policiais ligados principalmente ao Deic, ao DPPC e ao 16º Distrito Policial, com suspeitas de que agentes públicos atuavam para frustrar investigações e proteger integrantes da organização criminosa. 

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