Dirigentes europeus dizem estar confiantes de que presidente enfrentará concorrente em março
Dirigentes do futebol europeu estão confiantes de que conseguirão apresentar um candidato para enfrentar Gianni Infantino na eleição presidencial da Fifa, marcada para março de 2027. Apesar de ainda não haver um nome definido, representantes da Uefa e de outras associações nacionais acreditam que o atual presidente da entidade terá um adversário na disputa pelo cargo. As informações são do jornal britânico The Guardian.
A articulação reúne dirigentes insatisfeitos com a gestão de Infantino, que pretende conquistar um quarto mandato. A Uefa, a Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf) e a Confederação Asiática de Futebol (AFC) já manifestaram oposição à reeleição do dirigente, em meio à crise provocada por um plano de reorganização comercial que previa a venda de participações em direitos ligados às competições da Fifa, incluindo a Copa do Mundo.
O prazo para a apresentação das candidaturas termina em 18 de novembro. Segundo fontes ouvidas pelo The Guardian, a oposição trabalha para definir um nome e pretende anunciá-lo apenas perto do fim do período de inscrições. A estratégia seria reduzir o tempo disponível para que a Fifa tente inviabilizar a candidatura.
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Apesar da articulação, os dirigentes ainda não conseguiram chegar a um consenso sobre quem poderia enfrentar Infantino. Os presidentes das três confederações que lideram a oposição — Aleksander Ceferin, da Uefa; Victor Montagliani, da Concacaf; e Salman bin Ibrahim al-Khalifa, da AFC — descartaram concorrer ao cargo.
Outros nomes também foram cogitados, como o ex-técnico Arsène Wenger e a empresária Michele Kang, mas as possibilidades foram descartadas, segundo o jornal britânico. O ex-jogador português Luís Figo, que pediu publicamente a saída de Infantino em agosto, também aparece entre os nomes mencionados nos bastidores. Ele, porém, é considerado um possível candidato à presidência da Uefa quando Ceferin deixar o cargo, em 2031.
PLANO COMERCIAL PROVOCOU CRISE
A insatisfação com Infantino se intensificou após a tentativa de criar a Fifa Forward Enterprise (FFE), uma estrutura comercial que permitiria vender participações em direitos ligados às competições da entidade a investidores privados. A proposta foi abandonada em julho, após uma reação contrária de dirigentes e associações nacionais.
A Uefa passou a questionar a condução do projeto e pediu acesso a documentos relacionados à iniciativa. A entidade europeia também levantou suspeitas sobre a gestão financeira da Fifa, ampliando o conflito entre as duas organizações. A Fifa, por sua vez, acusou dirigentes europeus de promover uma campanha de desinformação contra Infantino.
A crise é um dos principais fatores que impulsionam a articulação para encontrar um concorrente. Embora tenha perdido apoio em parte do futebol europeu e asiático, Infantino mantém respaldo de dirigentes de outras regiões. A Confederação Africana de Futebol (CAF), por exemplo, declarou apoio à sua reeleição.
REUNIÃO PODE AMPLIAR PRESSÃO SOBRE PRESIDENTE
A disputa política também está no centro de uma reunião do Conselho da Fifa, formado por 37 integrantes, realizada nesta quinta-feira, em Zurique, na Suíça. Infantino deve ser questionado sobre o projeto comercial abandonado, a concessão do prêmio da paz da entidade ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a revisão de uma punição aplicada ao atacante americano Folarin Balogun durante a Copa do Mundo.
No caso de Balogun, o comitê disciplinar da Fifa havia imposto uma suspensão que acabou revogada durante o Mundial, após uma intervenção de Trump, segundo o relato do The Guardian. O episódio provocou questionamentos sobre a independência das decisões disciplinares da entidade.
Para antecipar possíveis críticas, Infantino propôs uma mudança nas regras que retiraria do comitê disciplinar a possibilidade de revogar suspensões de uma partida aplicadas a jogadores expulsos diretamente com cartão vermelho.
O presidente também prometeu apresentar ao Conselho um relatório completo sobre a Fifa Forward Enterprise. O documento, no entanto, não havia sido compartilhado previamente com os integrantes do colegiado, em uma quebra do procedimento habitual, segundo o jornal britânico.
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Infantino anunciou em maio que disputaria a eleição de 2027 e confirmou a intenção de buscar a reeleição em setembro. A votação está prevista para 18 de março, em Rabat, no Marrocos. Até o momento, a oposição ainda não apresentou um candidato capaz de reunir o apoio necessário para desafiar o atual presidente.