Pesquisa realizada no Japão sugere que quem come por impulso pode alcançar resultados menos efetivos em terapias voltadas ao emagrecimento
Você é daqueles que desconta os dias ruins em um pote de sorvete? Esta vontade de comer mesmo sem fome por conta das emoções tem raízes psicológicas tão fortes que pode atrapalhar até tratamentos contra a obesidade realizados com Ozempic e Wegovy.
Pesquisadores japoneses observaram que medicamentos populares para diabetes e perda de peso, os agonistas do receptor de GLP-1, apresentam respostas diferentes conforme os hábitos alimentares dos pacientes. A pesquisa foi publicada na revista Frontiers in Clinical Diabetes and Healthcare na terça-feira (16/9).
A equipe acompanhou 92 pessoas com diabetes tipo 2 durante o primeiro ano de uso da semaglutida (princípio do Ozempic) ou da liraglutida (do Saxenda). Os pesquisadores coletaram dados sobre peso, dieta, glicemia e colesterol, além de informações sobre o comportamento dos participantes relacionado à comida em três momentos distintos.
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Os voluntários foram divididos em três grupos: alimentação emocional, quando o indivíduo come em resposta a sentimentos negativos; alimentação externa, ligada a estímulos visuais ou olfativos; e alimentação comedida, com tendência a respeitar a dieta.
Todos os pacientes tiveram redução de peso e melhora em marcadores de saúde. Os medicamentos também contribuíram para as quedas nos níveis de colesterol e na hemoglobina glicada, que mede a glicose no sangue. No entanto, a intensidade dos resultados variou.
Aqueles que relataram episódios de alimentação emocional responderam menos ao tratamento, perdendo menos peso e tendo índices levemente mais baixos de modo geral a longo prazo. Neste caso, eles tiveram uma eficácia até 30% inferior à observada nos demais participantes, embora em todos os casos tenham tido melhoras em relação ao estado inicial.
A investigação mostrou que a alimentação emocional ficou controlada nos primeiros meses, mas voltou aos níveis iniciais de apelo emocional após um ano. Os cientistas destacaram que os medicamentos agem reduzindo o apetite, aumentando a secreção de insulina e ajudando no controle da glicose. Mas fatores emocionais, não ligados à fome fisiológica, podem reduzir o impacto das medicações.
Segundo os pesquisadores, os resultados indicam que a avaliação de padrões alimentares pode auxiliar médicos a personalizar estratégias de tratamento com esses fármacos. Esse tipo de triagem poderia, no futuro, direcionar pacientes a abordagens complementares.
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“Embora nosso estudo sugira uma possível associação entre comportamento alimentar externo e resposta ao tratamento com agonistas do receptor de GLP-1, esses achados ainda são preliminares”, completa Kato. Ele ressaltou, porém, que dada a pequena amostra de voluntários, ainda há necessidade de novos ensaios clínicos para consolidar os resultados encontrados.
Fonte: Metrópoles