Jovem afirma que resultado positivo foi revelado em voz alta diante de outros pacientes; profissional foi afastada
Um jovem de 23 anos denunciou ter tido seu diagnóstico de HIV exposto publicamente durante atendimento em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Ribeirão Preto. O caso ocorreu no último dia 9 e já é investigado pela Polícia Civil. Uma técnica de enfermagem foi afastada das funções.
Segundo o relato, o paciente procurou a UPA Oeste de Ribeirão Preto, no bairro Sumarezinho, para iniciar o protocolo de Profilaxia Pós-Exposição (PEP), após uma relação sexual considerada de risco.
De acordo com a advogada do jovem, Julia Gobi Turin, ele recebeu classificação de risco com pulseira amarela, mas se incomodou ao ver pacientes com menor prioridade sendo atendidos antes. Após questionar a demora e acionar a Guarda Civil Metropolitana, o atendimento teria mudado de tom.
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EXPOSIÇÃO EM ÁREA COLETIVA
Ainda conforme a defesa, a situação se agravou quando uma profissional de saúde teria anunciado o resultado do exame em voz alta, em um ambiente com outros pacientes.
“Ela falou no meio da sala, com várias pessoas presentes, que ele não poderia fazer a PEP porque o exame tinha dado positivo”, relatou a advogada. O jovem, segundo ela, não sabia previamente que vivia com o vírus e ficou em estado de choque ao receber a informação dessa forma.
POSSÍVEIS CRIMES E INVESTIGAÇÃO
O caso foi inicialmente registrado como difamação, mas posteriormente reclassificado para violação de sigilo médico e injúria racial. A defesa afirma que, além da exposição indevida, não houve acolhimento adequado ao paciente.
A unidade é administrada pela Fundação Hospital Santa Lydia, vinculada à prefeitura municipal, que informou ter aberto um processo administrativo para apurar os fatos.
MEDIDAS ADOTADAS
A Secretaria Municipal de Saúde de Ribeirão Preto declarou que o caso é tratado com seriedade, especialmente por envolver sigilo e respeito à privacidade. A técnica de enfermagem foi afastada até a conclusão das investigações.
Além disso, uma médica que atuava na unidade como prestadora de serviço (PJ) não integra mais o corpo clínico. Caso sejam identificadas infrações éticas, o caso poderá ser encaminhado ao Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo.
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O episódio levanta discussões sobre o respeito ao sigilo médico e à dignidade dos pacientes, especialmente em situações sensíveis como o diagnóstico de HIV. A investigação segue em andamento para apurar responsabilidades e possíveis sanções.