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Paciente do SUS com câncer de pulmão vive menos por falta de acesso ao tratamento mais indicado
Foto: Divulgação

Pesquisas revelam que dificuldades no acesso a exames e medicamentos reduzem as chances de sobrevivência de pacientes atendidos pelo sistema público.

Pacientes com um tipo específico de câncer de pulmão enfrentam realidades muito diferentes no Brasil, dependendo da rede de saúde em que são atendidos. Um estudo realizado pelo Grupo Brasileiro de Oncologia Torácica (GBOT) revelou que pessoas tratadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) têm menor acesso a exames e terapias de precisão, o que impacta diretamente nas chances de sobrevivência.

 

A pesquisa analisou a situação de pacientes com tumores que apresentam alteração no gene ALK, característica encontrada em cerca de 5% dos casos de câncer de pulmão. Esse perfil costuma responder melhor a medicamentos-alvo, administrados por via oral, que combatem diretamente as células tumorais e oferecem resultados superiores à quimioterapia convencional.

 

O primeiro desafio identificado é o acesso ao diagnóstico molecular. Enquanto cerca de 94% dos médicos da rede privada afirmaram conseguir solicitar o exame de forma rotineira, apenas 44% dos profissionais do SUS relataram ter essa possibilidade. A falta de financiamento para os testes, limitações estruturais e a necessidade de iniciar rapidamente a quimioterapia são alguns dos fatores apontados para essa diferença.

 

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Sem o exame, muitos pacientes sequer descobrem que possuem a alteração genética que permitiria o uso do tratamento mais adequado.

 

A desigualdade também aparece na oferta dos medicamentos. Na rede privada, o remédio considerado referência para esse tipo de câncer, o alectinibe, está disponível para a maioria dos pacientes. Já no SUS, mesmo medicamentos já incorporados ao sistema, como o crizotinibe, ainda enfrentam dificuldades para chegar aos hospitais devido ao alto custo e ao financiamento insuficiente.

 

Segundo os pesquisadores, a consequência dessa diferença é refletida nos resultados clínicos. Entre os pacientes acompanhados, 87% daqueles tratados na rede privada estavam vivos três anos após o diagnóstico, enquanto esse percentual caiu para 61% entre os atendidos pelo SUS.

 

O tempo em que a doença permaneceu controlada também apresentou uma diferença significativa. Na rede privada, os pacientes permaneceram, em média, 40 meses sem progressão do câncer. No SUS, esse período foi de aproximadamente 11 meses.

 

Além disso, o estudo identificou que o diagnóstico costuma demorar mais na rede pública, prolongando o intervalo entre o surgimento dos primeiros sintomas e o início do tratamento.

 

Para a presidente eleita do GBOT, a oncologista Samira Mascarenhas, o principal obstáculo atualmente não é científico, mas econômico. Segundo ela, o Brasil já dispõe de tecnologias eficazes e de medicamentos aprovados, porém ainda enfrenta dificuldades para garantir que essas terapias cheguem efetivamente aos pacientes do sistema público.

 

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Em nota, o Ministério da Saúde informou que pretende ampliar a oferta de medicamentos oncológicos de alto custo no SUS a partir de outubro, incluindo novos tratamentos para câncer de pulmão. A pasta afirma que mais de 112 mil pacientes deverão ser beneficiados e destaca a criação do Componente da Assistência Farmacêutica em Oncologia (AF-Onco), iniciativa que busca agilizar a aquisição dos medicamentos e reduzir a burocracia para ampliar o acesso aos tratamentos especializados. 

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