As propostas de ajustes das contas públicas apresentadas pela equipe econômica aos líderes neste domingo são melhores do que a medida publicada em decreto com alteração do IOF, diz Paulo Vicente Alves, professor de estratégia da Fundação Dom Cabral (FDC).
Na sua avaliação, o governo mostrou estar atento ao mercado, estar disposto a negociar. No entanto, na visão do professor, as frequentes mudanças de regras tributárias mexem na segurança de investidores e podem afastar o capital externo do país.
- Quem vai investir seu dinheiro por cinco, dez anos, quer a certeza de estabilidade nas regras. Quando se fazem alterações abruptas, se tem um cenário de insegurança tributária que pode afastar o capital estrangeiro do Brasil.
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Mal comparando, é o que temos visto com as mudanças de regras feitas pelo governo americano, desde que Donald Trump assumiu, o que tem levado o Euro a se fortalecer. O ministro Fernando Haddad tem o pior emprego do mundo. Ele está tentando o ajuste, mas não tem a caneta.
A redução do tamanho das despesas do Estado, que é medida primordial para o equilíbrio das contas, é missão quase impossível diante da necessidade de se negociar com mais de 30 partidos políticos, avalia a professor:
- Esse é um desafio para este governo e qualquer governo que venha sucedê-lo cortar o tamanho do Estado. Seria necessária uma reforma da Constituição para reduzir o número de partidos para facilitar a negociação. A maior tensão está entre o equilíbrio e o equilíbrio político.
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Não tem bala de prata para alcançar o ajuste fiscal. O Congresso deveria ter bom senso também, antes que a crise fiscal engula a todos. O fato é que mudar regra, ano após ano, não resolve o desequilíbrio das contas públicas e ainda afasta o capital estrangeiro.
Fonte: O Globo