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Pai investiga morte de filha e genro e descobre execução por PM em abordagem policial
Foto: Arquivo pessoal

Joselito Mendonça, pai de Ana Luiza, investigou por conta própria a morte da filha e do genro após a PM alegar acidente de trânsito. Exumação dos corpos e laudos da Polícia Federal comprovaram execução com tiro de fuzil. Polícia Civil confirmou homicídio

Dois jovens foram mortos na madrugada de 30 de novembro de 2024, em João Pessoa (PB), durante uma abordagem da Polícia Militar da Paraíba. Segundo a versão inicial apresentada pelos militares, o casal teria colidido com um poste após fugir de uma blitz em alta velocidade. A Polícia Técnica concluiu, a princípio, que as mortes foram causadas por acidente de trânsito. Meses depois, no entanto, laudos da Polícia Federal e da Polícia Civil confirmaram que o jovem que pilotava a moto foi executado com um tiro de fuzil 5.56 na cabeça.

 

A reviravolta só foi possível graças à insistência do pai de uma das vítimas, que iniciou uma investigação por conta própria, enfrentando, inclusive, a própria Polícia Militar da Paraíba.

 

As vítimas eram Ana Luiza Bandeira da Silva, de 17 anos, estudante de enfermagem, e Guilherme Pereira Rodrigues, de 18, mecânico. O casal havia saído para jantar com amigos na Praia do Sol, na zona sul, e retornava para casa quando foi abordado por viaturas da PM. Testemunhas relataram que os policiais atiraram contra o casal antes da colisão. Imagens de câmeras de segurança mostravam os jovens parados pouco antes do ocorrido, o que desmente a alegação de perseguição.

 

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Joselito Mendonça dos Santos, pai de Ana Luiza, foi quem desconfiou da versão oficial. Com quase 30 anos de experiência na área de segurança, ele decidiu apurar por conta própria os fatos. Ao visitar a Central de Polícia, encontrou os capacetes das vítimas e notou perfurações que indicavam possível disparo de arma de fogo. Fotografou e filmou tudo. A partir daí, ele começou a investigar os detalhes, indo ao local do crime, coletando imagens de câmeras de segurança, colhendo depoimentos e procurando a empresa de rastreamento da moto, onde obteve dados de telemetria que indicavam velocidade de apenas 10,9 km/h no momento da colisão.

 

Em posse de várias provas, ele voltou à Central de Polícia e descobriu que os capacetes que continham as perfurações de bala haviam sumido. Ao questionar o delegado de plantão, foi informado de que os capacetes haviam sido “descartados”. E, ao insistir sobre o sumiço, foi ameaçado de prisão. “O delegado ameaçou me prender, dizendo que eu estava mentindo, mas ele não sabia que eu havia filmado e fotografado tudo. E quando ameacei convocar a imprensa local para denunciar, aí eles me falaram que haviam localizado os dois capacetes”, contou.

 

Joselito dos Santos explicou que, durante as investigações, a Polícia Militar tentou forjar outras provas para incriminar os jovens. Além dos disparos, o boletim militar registrou que a moto de Guilherme era roubada, com placa do Piauí — o que também se provou falso. A moto estava regular, com documentação em nome do rapaz, e todos os documentos foram encontrados em uma pochete da vítima. A perícia da cena do crime incluiu fotos dos pertences e confirmou que ele portava a documentação completa. “A moto era nova. Eles ainda mentiram que ela não possuía documentos e que a moto era roubada. Tudo para encobrir o crime”, disse o pai.

 

Com apoio jurídico, o caso foi retirado da Delegacia de Acidentes e transferido para a Delegacia de Crimes Contra a Pessoa (DCCPES). A nova delegada do caso, Ana Luísa, solicitou a exumação dos corpos, com aval do Ministério Público e do Poder Judiciário. Os exames foram realizados pelo Instituto de Polícia Científica (IPC), com apoio técnico da perícia da Polícia Federal. O laudo confirmou que Guilherme foi atingido por um tiro de fuzil na cabeça, com orifício de entrada na lateral e saída na região frontal. Segundo o pai de Ana Luiza, ele precisou pagar R$ 1 mil para poder reconstruir o crânio do jovem e confirmar a trajetória do projétil.

 

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Em entrevista coletiva concedida na última quinta-feira (24/7), na sede do Instituto de Polícia Científica (IPC) em João Pessoa, o superintendente da Polícia Civil, delegado Cristiano Santana, afirmou que todos os exames periciais — inclusive a exumação — foram requisitados pela delegada titular da DCCPES ao longo dos cinco meses de investigação. Santana explicou que, inicialmente, o caso foi tratado como acidente de trânsito por falta de informação sobre os disparos. A partir do depoimento de testemunhas relatando tiros, a Polícia Civil reclassificou o caso como homicídio e iniciou nova apuração.

 

Fonte: Correio Braziliense

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