Trabalho que seguia grupo de papagaio-chauá se deparou com as árvores criticamente ameaçada de extinção em área afetada pelo rompimento da barragem de Mariana
Uma pesquisa de monitoramento do papagaio-chauá trouxe à tona uma população até então desconhecida de raros – e igualmente ameaçados – ipês-amarelos, também chamados de pau-d’arco-flor-de-algodão. A descoberta foi feita no município de Linhares, litoral norte do Espírito Santo. O achado amplia os conhecimentos acerca da distribuição da árvore e revela a resiliência dos remanescentes florestais da Bacia do Rio Doce, região impactada pelo rompimento da barragem de Mariana, em novembro de 2015.
O estudo foi conduzido por pesquisadores do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA) e publicado em novembro na revista científica Oryx (The International Journal of Conservation), da Universidade de Cambridge, na Inglaterra.
Os hábitos alimentares do papagaio-chauá (Amazona rhodocorytha) foram determinantes para localizar os ipês (Handroanthus riodocensis). A equipe acompanhava um grupo de 34 indivíduos, quando observaram os papagaios pousados e se alimentando nas árvores, que estavam em período de floração.
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As flores, de um amarelo vibrante, foram peça-chave na descoberta, como admite o biólogo Ricardo Ribeiro, um dos autores do artigo, que teve pouco sucesso em iniciativas anteriores para localizar novas populações da espécie na região. “Nós estamos realizando iniciativas para localizar novas populações de Handroanthus riodoscensis na região há alguns anos. Sem as flores é difícil distingui-lo de outros ipês comuns”, explica.
A pesquisa mapeou oito indivíduos do ipê-amarelo, todos em floração. Cinco exemplares foram localizados em fragmentos de Mata Atlântica, enquanto três estavam em áreas de pastagem e plantio de cacau. Estas árvores chegam a 35 metros de altura e, quando na floração, destacam-se na paisagem por suas flores amarelas abundantes.

Foto: Reprodução
A ornitóloga Flávia Chaves conta que o ipê-amarelo é fundamental para a sobrevivência das aves no início da primavera, durante seu período de reprodução. O papagaio-chauá utiliza de cavidades em árvores de grande porte, como o ipê, para depositar seus ovos, e suas pétalas fazem parte do cardápio do pássaro.
Ambas as espécies são 100% brasileiras e endêmicas da Mata Atlântica, ou seja, podem ser encontradas apenas no bioma. O chauá está presente nos estados de Alagoas, Bahia, Sergipe, Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, enquanto o ipê-amarelo ocorre apenas na Bahia, Espírito Santo e Minas Gerais.
O carismático papagaio de penas verdes no corpo e plumagem colorida sob o rosto, que comumente inclui vermelho, amarelo e azul, assim como o ipê-amarelo, está classificado como Criticamente em Perigo (CR) no estado do Espírito Santo. À nível nacional, o chauá se encontra Vulnerável à Extinção (VU), enquanto o ipê é listado como Em Perigo (EN).
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Os pesquisadores reforçam a importância de iniciativas voltadas para o monitoramento conjunto de espécies, tanto de plantas quanto animais, para compreender suas relações ecológicas, e assim traçar estratégias mais integradas de conservação.
Fonte: O Eco