Bebês reborn têm preços que variam na casa dos milhares de reais
Nos últimos meses, a moda dos bebês reborn tomou as redes sociais e dominou assuntos também do mundo real, inclusive entre adultos, chegando a inspirar projetos de leis em câmaras municipais e até no Congresso Nacional, ganhando também a adesão de famosos. Mas não é de hoje que esses bonecos hiper-realistas são usados por adultos. Aliás, por questões bem mais sérias do que as que têm sido abordadas nas redes.
Originalmente, parte da criação dos bonecos passa por chegar a um peso parecido com o de um bebê real, tal como o material, que se aproxima da pele e dos cabelos reais de um recém-nascido, por exemplo. É importante ressaltar, no entanto, que o objetivo do tratamento não é fazer o paciente acreditar que está com um bebê real, nem achar que a criança que morreu está ali de volta.
— Este tratamento é uma espécie de cuidado emocional mesmo, um acolhimento daquela dor, uma reconstrução de afeto, mas sempre no campo do simbólico. Não pode passar deste limite. Precisamos entender que aquilo é um simbolismo de algo que seria real — completa Lucélio.
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Além dos tratamentos de que o bebê pode fazer parte, os bonecos já foram utilizados em treinamentos médicos, justamente por simular tamanhos e pesos reais de crianças.
O especialista ainda chama atenção para um cuidado importante ao se falar desses bonecos nas redes ou em rodas de conversas.
— Quando se fala do bebê reborn, vão sempre para o lado do ridículo. Existe uma exposição superexagerada. Temos, sim, vídeos que são encenados, tem até perfil de boneco no Instagram. Tudo feito para monetizar, viralizar e ganhar curtida. Isso acaba banalizando e generalizando pessoas que são eventualmente colecionadoras, ou que usaram isso como recurso para passar uma etapa. E, sim, precisamos fazer o recorte de algo patológico, da pessoa que se vincula de uma forma não adequada. Olhamos com muito cuidado para isso — conclui ele.Em 1999, a artista alemã Karola Wegerich criou uma boneca reborn para consolar seu amigo que havia perdido um bebê. Acabou se tornando o primeiro modelo famoso do item e fez com que ele começasse a se popularizar pelo mundo.
Hoje em dia, entre adultos, para além da brincadeira de faz de conta, os bebês reborn são usados, por exemplo, para:
Tratamento de pessoas em luto e/ou em depressão
Tratamento de idosos com Alzheimer
Treinamento de médicos
Bebês reborn no contexto clínico
O que Wegerich pensou ao presentear o amigo fazia sentido. Na época, os bebês reborn já eram utilizados como forma de tratamento para pessoas que enfrentavam lutos.
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Foto: Reprodução
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— Quando são usados no contexto clínico, eles podem ser um recurso muito interessante. Os bebês reborn são usados na elaboração de luto gestacional, e também temos relatos de uso com idosos com Alzheimer, e contribui de fato. Mas sempre considerando que há um acompanhamento, tem um profissional envolvido que usa o item como uma estratégia terapêutica — explica Lucélio Budal Arins, coordenador do curso de Psicologia da Life Unic.
Fonte: Extra