Governo do Paraguai expressou formalmente seu desagrado pelas declarações do presidente Lula sobre a Guerra da Tríplice Aliança
O governo do Paraguai entregou nesta sexta-feira (31) uma nota oficial de repúdio ao embaixador do Brasil em Assunção, José Antonio Marcondes de Carvalho, em resposta às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a Guerra da Tríplice Aliança.
O diplomata brasileiro foi convocado pela chancelaria paraguaia para uma reunião com autoridades do país. No documento, o governo do Paraguai manifesta "formalmente seu desagrado" e afirma rejeitar as declarações de Lula "em todos os seus termos", alegando que elas apresentam uma versão distorcida de fatos históricos considerados fundamentais para o povo paraguaio.
Após o encontro, o vice-presidente do Paraguai, Pedro Alliana, afirmou que o embaixador esclareceu que o presidente brasileiro não teve a intenção de desrespeitar ou ofender o país. Apesar disso, Alliana disse que o governo paraguaio pediu ao Brasil a devolução de troféus de guerra e o envio de cópias de documentos históricos relacionados ao conflito como forma de reparação.
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"A distorção dos fatos históricos não contribui para consolidar o futuro comum de nossos povos", declarou o vice-presidente, ressaltando, no entanto, que Brasil e Paraguai mantêm uma relação de cooperação estratégica por meio do Mercosul e da usina hidrelétrica de Itaipu.
Também participaram da reunião o chanceler paraguaio, Rubén Ramírez Lezcano, o vice-chanceler Víctor Verdún e representantes da Embaixada do Brasil.
A crise diplomática teve início após uma declaração de Lula na última sexta-feira (24), quando afirmou que o Paraguai invadiu o Brasil, a Argentina e o Uruguai, dando início à Guerra da Tríplice Aliança.
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As declarações provocaram forte reação entre autoridades e parte da população paraguaia. O governo do país também contestou a versão brasileira sobre um suposto contato telefônico entre Lula e o presidente Santiago Peña para tratar do assunto. Enquanto o Palácio do Planalto negou a conversa, o chanceler paraguaio reafirmou nesta sexta-feira que os dois presidentes conversaram por telefone.