Memorando abre possibilidade de produção nacional do lenacapavir, mas alto custo ainda é desafio para o SUS.
A farmacêutica Gilead Sciences, responsável pelo desenvolvimento do lenacapavir, injeção de longa duração utilizada na prevenção do HIV, firmou um memorando de entendimento com o Instituto de Tecnologia em Fármacos da Fiocruz (Farmanguinhos). O acordo abre espaço para avaliar possibilidades de cooperação, incluindo uma eventual transferência de tecnologia para fabricação do medicamento no Brasil.
Segundo a empresa, o objetivo é analisar alternativas conjuntas que possam, no futuro, permitir a produção nacional do lenacapavir. Caso isso se concretize, a iniciativa pode reduzir custos de produção e ampliar o acesso ao medicamento no país.
O Farmanguinhos confirmou a assinatura do memorando, mas destacou que o documento não representa um compromisso formal de fabricação, servindo apenas como base para estudos técnicos, discussões e análises sobre a viabilidade do projeto.
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REGISTRO APROVADO, MAS ACESSO AINDA DEPENDE DE PREÇO E AVALIAÇÃO NO SUS
A Anvisa aprovou o registro do lenacapavir no Brasil no último dia 12. No entanto, o medicamento ainda não pode ser comercializado ou incorporado ao sistema público de saúde. Antes disso, é necessário que a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) defina o preço máximo de venda.
A eventual oferta do medicamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) dependerá de avaliação da Conitec, responsável por analisar a incorporação de novas tecnologias, além de decisão final do governo federal.
CUSTO ELEVADO É PRINCIPAL ENTRAVE
Atualmente, o lenacapavir tem custo elevado, o que representa o maior desafio para sua disponibilização gratuita. Nos Estados Unidos, o tratamento pode custar cerca de US$ 25,3 mil por pessoa ao ano (aproximadamente R$ 136 mil), podendo chegar a US$ 44,8 mil (R$ 241 mil), dependendo do regime terapêutico.
Estudo publicado na revista The Lancet aponta que versões genéricas do medicamento poderiam custar entre US$ 25 e US$ 47 por ano, o que tornaria a prevenção amplamente acessível. No entanto, essa alternativa não está prevista para o Brasil, já que a Gilead não autorizou o país a produzir o genérico do lenacapavir.
LICENCIAMENTO RESTRITO E ESTUDOS EM ANDAMENTO
Desde o ano passado, a Gilead tem firmado acordos de licenciamento para a produção de versões genéricas do lenacapavir em 120 países, considerados de baixa renda ou alta vulnerabilidade ao HIV. O Brasil ficou fora dessa lista e, segundo a farmacêutica, não será incluído.
Apesar disso, a empresa tem colaborado com pesquisas clínicas no país, fornecendo doses gratuitamente para estudos científicos. Um desses projetos será conduzido pela própria Fiocruz.
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O estudo, denominado ImPrEP LEN Brasil, prevê a oferta do medicamento em sete cidades brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Florianópolis, Manaus, Campinas (SP) e Nova Iguaçu (RJ).