O Parlamento Europeu decidiu congelar o acordo comercial firmado com os Estados Unidos em julho do ano passado, após o presidente norte-americano Donald Trump ameaçar impor tarifas de 10% a países europeus que não apoiarem o plano de aquisição da Groenlândia, território autônomo pertencente à Dinamarca.
A medida é vista como uma retaliação direta da União Europeia (UE) às declarações de Trump, que tem intensificado a pressão para comprar a Groenlândia. A decisão foi reiterada nesta terça-feira (20) por Iratxe García Pérez, líder do Grupo S&D, a segunda maior bancada do Parlamento Europeu.
Segundo a parlamentar, após o congelamento inicial, o acordo deverá ser formalmente suspenso em razão das recentes ameaças do presidente norte-americano. A posição foi confirmada por outros líderes políticos do Parlamento e a decisão oficial deve ser anunciada nesta quarta-feira (21).
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ACORDO E NOVAS AMEAÇAS
Em julho de 2025, Estados Unidos e União Europeia haviam firmado um acordo comercial durante reunião na Escócia, estabelecendo que as tarifas americanas sobre produtos europeus ficariam em 15%, abaixo dos 30% inicialmente propostos por Trump.
No entanto, no último sábado (17), o presidente dos EUA anunciou que irá impor tarifas de 10% a partir de 1º de fevereiro sobre produtos de países que se alinharem aos Estados Unidos no apoio à anexação da Groenlândia. Trump afirmou ainda que as tarifas poderão subir para 25% contra os países que não apoiarem a iniciativa, até que seja alcançado um acordo para a “compra completa e total da Groenlândia”.
REAÇÃO POLÍTICA NA EUROPA
O presidente do Partido Popular Europeu (PPE), maior grupo político do Parlamento Europeu, Manfred Weber, afirmou nas redes sociais que um acordo com os Estados Unidos já não é mais viável no atual cenário.
“O PPE é favorável ao acordo comercial entre a União Europeia e os Estados Unidos, mas, dadas as ameaças de Donald Trump em relação à Groenlândia, a aprovação não é possível neste momento. As tarifas de 0% sobre produtos dos EUA devem ser suspensas”, escreveu Weber em seu perfil na rede X.
A postura de Trump também gerou reações de governos europeus. O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noel Barrot, declarou que o país apoia a suspensão do acordo comercial entre a UE e os Estados Unidos.
“A ameaça de tarifas alfandegárias está sendo usada como chantagem para obter concessões injustificáveis”, afirmou Barrot, destacando que a Comissão Europeia dispõe de instrumentos muito poderosos para responder às pressões do governo norte-americano.
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O impasse amplia as tensões comerciais e diplomáticas entre a União Europeia e os Estados Unidos, em um momento de instabilidade nas relações internacionais.