Governo Trump anunciou designação do PCC e do Comando Vermelho como terroristas globais e pretende incluí-los na lista estrangeira a partir de 5 de junho
A decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas colocou dezenas de brasileiros ligados às facções sob atenção internacional e ampliou a pressão sobre integrantes suspeitos de atuar no financiamento, logística e expansão do crime organizado fora do país.
Segundo informações divulgadas após o anúncio do Departamento de Estado americano, a maior parte dos brasileiros monitorados ou citados em investigações internacionais possui ligação direta com o PCC, considerado atualmente a facção criminosa brasileira com maior presença fora do país. O grupo mantém atuação em rotas de tráfico na América do Sul, Europa e África, além de operações ligadas à lavagem de dinheiro, armas e tráfico internacional de drogas.
Entre os nomes investigados estão chefes da facção que já cumprem pena no Brasil, operadores financeiros suspeitos de movimentar recursos do grupo e integrantes apontados como responsáveis por conexões internacionais do PCC. Autoridades americanas também acompanham brasileiros suspeitos de utilizar empresas de fachada, fintechs e redes de laranjas para ocultar patrimônio ligado ao crime organizado.
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O Comando Vermelho também aparece na lista, mas com número menor de integrantes identificados em investigações internacionais quando comparado ao PCC. Segundo analistas de segurança, isso ocorre porque o PCC desenvolveu ao longo dos últimos anos uma estrutura mais sofisticada de expansão global e articulação financeira.
A classificação das facções como organizações terroristas estrangeiras permitirá aos Estados Unidos ampliar sanções financeiras, congelamento de ativos, restrições bancárias e cooperação internacional contra suspeitos ligados aos grupos. O enquadramento também pode afetar empresas e instituições financeiras que mantenham relações indiretas com integrantes das facções sem mecanismos adequados de controle.
No Brasil, a medida gerou forte reação política. O governo de Luiz Inácio Lula da Silva demonstrou preocupação com possíveis impactos sobre a soberania nacional e teme que a classificação abra espaço para maior interferência americana em investigações e operações relacionadas ao crime organizado.
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Já aliados do senador Flávio Bolsonaro comemoraram a decisão. O parlamentar participou recentemente de reuniões com o presidente americano Donald Trump e com o secretário de Estado Marco Rubio, defendendo que PCC e CV fossem tratados oficialmente como grupos terroristas.