Projeções indicam perda de R$ 9 bilhões por ano para o Rio se compensações pelo impacto da exploração de petróleo forem redistribuídas para estados não produtores
O julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a divisão dos royalties do petróleo entre estados e municípios foi adiado após um pedido de vista do ministro Flávio Dino. A análise do caso, considerada uma das mais importantes para as finanças de estados produtores e não produtores, estava em andamento no plenário virtual da Corte.
Com o pedido, o processo fica temporariamente suspenso para que o ministro tenha mais tempo para analisar os autos antes de apresentar seu voto. Não há prazo definido para que o julgamento seja retomado, embora o regimento interno do STF estabeleça um período de até 90 dias para devolução do processo.
A ação discute as regras de distribuição dos royalties obtidos com a exploração de petróleo no Brasil, principalmente os recursos provenientes da camada do pré-sal. Estados produtores, como Rio de Janeiro e Espírito Santo, defendem a manutenção do modelo atual, argumentando que sofrem impactos ambientais, econômicos e sociais maiores por concentrarem as atividades petrolíferas.
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Por outro lado, estados e municípios não produtores defendem uma divisão mais ampla e equilibrada dos recursos, alegando que o petróleo pertence à União e, consequentemente, deve beneficiar todo o país. A disputa se arrasta há anos e envolve bilhões de reais em arrecadação pública.
O tema ganhou força após mudanças aprovadas pelo Congresso Nacional em 2012, quando parlamentares alteraram os critérios de distribuição dos royalties. Na época, estados produtores reagiram fortemente e acionaram o STF, alegando perdas bilionárias e risco de colapso financeiro em áreas dependentes da receita petrolífera.
Desde então, decisões liminares mantiveram suspensas parte das alterações aprovadas pelo Legislativo. Agora, o Supremo analisa definitivamente a constitucionalidade das regras e o impacto da redistribuição dos valores entre os entes federativos.
Especialistas avaliam que a decisão final do STF poderá provocar mudanças significativas nas contas públicas de diversos estados e municípios brasileiros. Governos estaduais acompanham o julgamento com preocupação, já que muitos dependem diretamente da arrecadação dos royalties para investimentos em saúde, educação, segurança e infraestrutura.
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O pedido de vista de Flávio Dino interrompeu a formação de maioria no plenário e adiou uma definição aguardada há mais de uma década por governadores, prefeitos e representantes da indústria do petróleo. O caso deve voltar à pauta do Supremo após a devolução do processo pelo ministro.