Alternar entre sexo anal e vaginal sem higiene adequada pode causar infecções sérias. Experts explicam como aproveitar o ato com segurança
“Bota aqui e bota ali”: a brincadeira gostosa de intercalar entre penetração anal e vaginal parece, para muitos casais, uma forma de intensificar o prazer e quebrar tabus. Mas, do ponto de vista médico e de saúde, a prática exige cuidados que são inegociáveis e que vão muito além do erotismo.
O ginecologista César Patez, especialista em endometriose e endoscopia ginecológica, e a sexóloga Alessandra Araújo explicam por que o famoso “vai e vem” entre vagina e ânus pode ser arriscado — e como torná-lo mais seguro e consensual.
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POR QUE ALTERNAR AS PRÁTICAS PODE SER PERIGOSO?

Segundo Patez, o maior problema é a contaminação cruzada. A região anal é rica em bactérias que não deveriam entrar na vagina. Quando isso acontece, o corpo reage mal e surgem quadros como vaginose, candidíase recorrente, infecções urinárias e, em casos mais sérios, até doença inflamatória pélvica.
Há ainda o risco de microfissuras, já que a mucosa anal é mais delicada. Sem lubrificação adequada, machucar a região é fácil — e fissuras aumentam a porta de entrada para vírus e bactérias.
ORDEM IMPORTA — E MUITO

Passar do anal para o vaginal sem higienizar é, como explica o ginecologista, “levar a microbiota intestinal diretamente para a vagina”. O caminho inverso (vaginal → anal) é menos arriscado, mas não totalmente seguro: secreções vaginais podem irritar o ânus, favorecendo inflamação e até piora de hemorroidas.
O médico explica que o maior perigo aparece quando a transição acontece várias vezes na mesma relação, sem limpeza ou troca de preservativo.
COMO REDUZIR OS RISCOS?

A regra número um, segundo Patez, é separar as práticas – e isso vale para a ordem, para a higiene e para o uso de preservativos diferentes.
Outros cuidados essenciais:
Sexo anal: lubrificante à base de água é obrigatório. “Sem isso, a chance de machucar é enorme”, diz Patez.
Sexo vaginal: higiene simples e troca de camisinha ao alternar.
Brinquedos: só podem mudar de região após serem lavados e com um novo preservativo.
Mãos: também transmitem bactérias — é importante lavá-las ao alternar manipulações.
E uma recomendação que muita gente ignora: não usar saliva como lubrificante no sexo anal.
QUANDO A PRÁTICA É PRAZER E QUANDO VIRA PRESSÃO
Fotos: Reprodução
Na perspectiva emocional, a sexóloga Alessandra Araujo explica que a penetração alternada envolve elementos fortes de tabu, confiança e vulnerabilidade. Para quem recebe, o ato pode representar entrega e intimidade profundas; para quem penetra, pode reforçar a sensação de competência e conexão sexual — desde que tudo seja consensual.
Mas o prazer vem acompanhado de desafios psicológicos. A alternância rápida de estímulos pode gerar orgasmos mais intensos, porém também pode provocar ansiedade, especialmente pelo medo de dor ou falta de higiene. Em alguns casos, quando a técnica é inadequada, a dor leva à dissociação, um desligamento emocional que compromete a experiência e a intimidade.
Por isso, comunicação é indispensável: falar sobre ritmo, desconforto, limites e vontade real de participar da prática.
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SEGURANÇA, PRAZER E CONSENTIMENTO ANDAM JUNTOS
Com os cuidados certos — e, principalmente, com diálogo — a alternância entre sexo anal e vaginal pode ser prazerosa, sem colocar a saúde em risco. A combinação de higiene simples, preservativo trocado, lubrificação e comunicação clara transforma o que poderia ser um problema em uma experiência segura e, para muitos casais, profundamente íntima.
Fonte: Metrópoles