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Perícia não detalha destino de R$ 75 milhões investidos em filme sobre Bolsonaro
Foto: Divulgação

Documento apresentado pela defesa da produtora aponta gastos milionários no Brasil e nos Estados Unidos, mas deixa sem explicação parte significativa dos recursos.

A perícia privada apresentada pela produtora Go Up Entertainment não conseguiu esclarecer de forma detalhada como foram utilizados cerca de R$ 75 milhões destinados à produção do filme Dark Horse, que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.

 

O laudo foi anexado pela defesa da empresária Karina Ferreira da Gama em um processo que envolve o Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade investigada por suspeitas de irregularidades em um contrato de R$ 108 milhões firmado com a Prefeitura de São Paulo. Segundo a investigação, parte dos recursos teria sido direcionada para a produção cinematográfica.

 

De acordo com o documento, o projeto recebeu aproximadamente US$ 13,3 milhões, valor equivalente a cerca de R$ 75 milhões. Desse total, cerca de R$ 20,9 milhões teriam sido gastos no Brasil, enquanto R$ 54,2 milhões teriam sido aplicados nos Estados Unidos.

 

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A perícia detalha que os recursos utilizados em território brasileiro foram destinados principalmente à fase de produção e filmagem, incluindo despesas com contratação de atores internacionais, cachês, hospedagem, transporte, cenografia e passagens aéreas. Grande parte dessas movimentações financeiras teria sido realizada por meio de transferências via Pix.

 

Já os gastos realizados nos Estados Unidos aparecem de forma mais genérica no relatório. O documento menciona etapas como desenvolvimento do projeto, pré-produção, produção, pós-produção e uma fase denominada “soft-production”, mas não apresenta informações detalhadas sobre os serviços executados ou os pagamentos realizados em cada uma dessas categorias.

 

O laudo também afirma que os recursos teriam origem privada e foram captados por meio do fundo Havengate Development LP, responsável pelo envio dos valores para a produção. Segundo a perícia, a documentação analisada inclui contratos de investimento, extratos bancários e registros financeiros que indicariam a origem dos recursos.

 

Paralelamente, a Polícia Federal investiga se parte dos valores movimentados pelo fundo pode ter sido utilizada para financiar despesas relacionadas à permanência do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O parlamentar reside no país desde fevereiro de 2025 e responde a processos na Justiça brasileira.

 

Outro ponto que chamou atenção dos investigadores é a diferença entre o orçamento oficial informado para o filme, estimado em US$ 16 milhões (cerca de R$ 89,7 milhões), e valores maiores que teriam sido discutidos em negociações envolvendo apoiadores do projeto. Conversas reveladas por reportagens apontam tratativas que poderiam elevar os aportes para aproximadamente R$ 134 milhões.

 

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O caso segue sob análise das autoridades, que buscam esclarecer a origem, a destinação e a regularidade dos recursos empregados na produção cinematográfica. 

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