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Pés queimando ou dormentes à noite podem revelar complicação do diabetes
Foto: Divulgação

Formigamento, sensação de choques e perda de sensibilidade nos pés podem estar relacionados à neuropatia diabética e exigem atenção

Sentir os pés queimando, dormentes ou com pequenos “choques” durante a noite pode parecer apenas consequência do cansaço ou de um dia inteiro em movimento. Quando esses sintomas aparecem com frequência, principalmente em pessoas com diabetes, porém, podem indicar uma complicação conhecida como neuropatia diabética.

 

A condição ocorre quando níveis elevados de glicose no sangue provocam danos aos nervos ao longo do tempo. Os pés estão entre as regiões mais afetadas e, em muitos casos, os primeiros sinais aparecem justamente como formigamento, queimação, pontadas ou redução da sensibilidade.

 

Um dos motivos para o desconforto parecer mais intenso à noite é a ausência de outros estímulos. Durante o dia, movimentos e atividades podem desviar a atenção das sensações provocadas pelos nervos comprometidos. Ao deitar e ficar em repouso, os sintomas podem se tornar mais perceptíveis.

 

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Algumas pessoas também apresentam uma sensibilidade exagerada ao toque, chamada alodinia. Nesse caso, até o contato do lençol com os pés pode provocar dor ou desconforto.

 

NEUROPATIA OU PROBLEMA DE CIRCULAÇÃO?

 

Embora possam ocorrer simultaneamente, a neuropatia diabética e os problemas de circulação apresentam características diferentes.

 

Na neuropatia, são mais comuns sintomas como formigamento, queimação, choques, dormência e perda progressiva da sensibilidade. O desconforto pode aparecer principalmente durante o repouso ou à noite.

 

Já alterações na circulação podem provocar dor nas pernas durante caminhadas, que tende a melhorar quando a pessoa para. Também podem ocorrer pés frios, mudanças na coloração da pele e redução dos pulsos nos pés.

 

A diferença, no entanto, não deve ser feita apenas pelos sintomas. Uma avaliação médica é necessária para identificar a causa do problema.

 

O PROBLEMA PODE COMEÇAR ANTES DO DIAGNÓSTICO

 

A neuropatia periférica associada ao diabetes pode se desenvolver gradualmente e, em alguns casos, alterações nos nervos podem estar presentes antes mesmo de a pessoa descobrir que tem diabetes.

 

Além disso, nem todos os pacientes sentem dor. Em algumas pessoas, a principal manifestação é justamente a perda de sensibilidade. Essa forma pode ser particularmente perigosa porque o indivíduo deixa de perceber pequenas lesões nos pés.

 

Uma pedra dentro do sapato, uma bolha, um corte ou até uma queimadura podem passar despercebidos. Sem tratamento adequado, uma lesão aparentemente pequena pode evoluir para uma úlcera ou infecção.

 

QUANDO PROCURAR ATENDIMENTO

 

Pessoas com diabetes devem ficar atentas a alterações nos pés, principalmente quando surgem de maneira persistente.

 

Entre os sinais que merecem avaliação estão:

 

dormência ou formigamento frequente;


sensação de queimação ou choques;


perda de sensibilidade ao toque, frio ou calor;


cortes, bolhas ou calos que não provocam dor;


feridas que demoram para cicatrizar;


pele muito seca ou rachada;


mudanças na coloração dos pés;


fraqueza ou dificuldade para caminhar.

 

Feridas com secreção ou pus, vermelhidão que aumenta, inchaço, febre, mudança rápida na coloração do pé ou perda repentina de força exigem atendimento médico imediato.

 

NEM SEMPRE A CAUSA É O DIABETES

 

O formigamento e a dormência nos pés também podem estar relacionados a outras condições. Deficiência de vitamina B12, consumo excessivo de álcool, alterações da tireoide e compressão de nervos, inclusive por problemas na coluna, estão entre as possibilidades.

 

O uso prolongado de metformina também merece atenção porque o medicamento pode estar associado à redução dos níveis de vitamina B12 em algumas pessoas. Por isso, quem utiliza o remédio por longos períodos deve conversar com o profissional que acompanha o tratamento sobre a necessidade de monitoramento.

 

Também existem condições como a síndrome das pernas inquietas, que pode causar desconforto durante o repouso e vontade de movimentar as pernas, mas possui características diferentes da neuropatia.

 

COMO O DIAGNÓSTICO É FEITO

 

A investigação começa com a avaliação clínica. O profissional de saúde pode realizar testes simples para verificar a sensibilidade dos pés, os reflexos e a circulação.

 

Um dos procedimentos utilizados é o teste do monofilamento, no qual um pequeno fio de náilon é encostado em pontos específicos da sola dos pés para avaliar a percepção do toque.

 

Outro exame é realizado com um diapasão, instrumento utilizado para verificar a capacidade de perceber vibrações.

 

Dependendo dos sintomas e do histórico do paciente, também podem ser solicitados exames de sangue, como glicemia e hemoglobina glicada, além de dosagens de vitamina B12 e avaliação da função da tireoide.

 

CONTROLE DA GLICOSE É PARTE IMPORTANTE DO TRATAMENTO

 

Quando a neuropatia está relacionada ao diabetes, manter a glicose sob controle é uma das principais medidas para reduzir o risco de progressão do dano aos nervos.

 

O tratamento pode envolver mudanças na alimentação, atividade física orientada e ajustes nos medicamentos utilizados para controlar o diabetes. Quando existe dor neuropática, o médico pode prescrever medicamentos específicos, já que analgésicos comuns nem sempre apresentam o efeito esperado nesse tipo de dor.

 

Nenhum medicamento para diabetes deve ser interrompido ou alterado sem orientação profissional.

 

CUIDADOS AJUDAM A PROTEGER OS PÉS

 

A prevenção de lesões é especialmente importante quando existe perda de sensibilidade. Algumas medidas podem fazer parte da rotina:

 

observar os pés diariamente, incluindo a sola e os espaços entre os dedos;


utilizar um espelho ou pedir ajuda para verificar áreas difíceis de enxergar;


evitar andar descalço;


verificar o interior dos calçados antes de colocá-los;


usar calçados confortáveis e que não apertem;


manter os pés limpos e secos;


hidratar a pele ressecada, evitando passar creme entre os dedos;


evitar escalda-pés e fontes de calor, como bolsas de água quente;


cortar as unhas com cuidado e sem retirar os cantos profundamente;


não tentar remover calos ou lesões por conta própria.

 

O exame periódico dos pés também é recomendado para pessoas com diabetes, mesmo quando não existem sintomas.

 

Formigamento, dormência ou sensação de queimação que aparecem repetidamente, principalmente durante a noite, não devem ser ignorados. Esses sinais podem ter diferentes causas, mas, em pessoas com diabetes ou fatores de risco, merecem avaliação para identificar precocemente possíveis alterações nos nervos e evitar complicações.

 

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Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui uma consulta médica. Em caso de sintomas persistentes ou alterações nos pés, procure uma unidade de saúde ou profissional habilitado. 

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