Pesquisa da USP usa células da mucosa olfatória e mostra melhora significativa em animais com lesão grave na medula
Uma terapia experimental desenvolvida por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) apresentou resultados promissores na recuperação motora de ratos com lesão medular aguda. O estudo utilizou células-tronco retiradas da mucosa olfatória, tecido localizado no nariz responsável pelo olfato.
A pesquisa foi realizada por diferentes centros da USP e integra a tese de doutorado de Brian Coimbra, da Faculdade de Medicina. Os cientistas provocaram uma contusão na medula espinhal dos animais e, posteriormente, aplicaram células da mucosa olfatória para avaliar os efeitos sobre a recuperação.
No grupo que recebeu o tratamento considerado mais completo, os pesquisadores observaram o retorno de movimentos já a partir da terceira semana após a lesão.
Veja também

Anvisa proíbe seis tipos de sal; veja a lista
SUS passa a oferecer teste de alta tecnologia para rastrear câncer colorretal
De acordo com os pesquisadores, as células utilizadas não atuariam simplesmente substituindo o tecido nervoso perdido. A hipótese é que elas funcionem como um “gatilho biológico”, liberando substâncias capazes de estimular processos de regeneração dos neurônios próximos à região lesionada.
A mucosa olfatória foi escolhida justamente por apresentar alta capacidade de renovação celular. Essa característica despertou interesse dos pesquisadores para avaliar seu potencial na medicina regenerativa.
Apesar dos resultados, os pesquisadores ressaltam que o estudo ainda está em fase inicial e foi realizado exclusivamente em animais.
Antes que uma eventual terapia possa ser testada em pacientes, será necessário investigar com maior profundidade como as células atuam, além de avaliar segurança, dosagem adequada e possíveis efeitos adversos.
Lesões na medula espinhal podem provocar perda de movimentos e sensibilidade e estão entre os grandes desafios da medicina regenerativa. Atualmente, os tratamentos são voltados principalmente para controle das consequências da lesão, fisioterapia e reabilitação.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp, Canal e Telegram
A equipe da USP pretende continuar investigando os mecanismos envolvidos na recuperação e verificar se os resultados podem ser reproduzidos em outros modelos experimentais. Se os efeitos forem confirmados em pesquisas futuras, a estratégia poderá contribuir para o desenvolvimento de novos tratamentos para lesões da medula espinhal.