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Pesquisa revela diferença racial na preferência por Bolsonaro e aponta antipetismo como fator decisivo entre eleitores brasileiros
Foto: Reprodução

Eleitor vota na urna eletrônica em 2022

Raça influencia preferência por Bolsonaro, mas não aparece no modo como brasileiros se definem ideologicamente, aponta pesquisa

 

Uma análise da pesquisa A Cara da Democracia, realizada em julho com 2.010 brasileiros, aponta uma diferença entre a forma como eleitores se identificam politicamente e a maneira como a preferência partidária se distribui entre diferentes grupos raciais.

 

Segundo os dados, quando convidados a se posicionar em uma escala de 1 a 10, entre esquerda e direita, os brasileiros apresentaram médias próximas. Entre os brancos, a média foi de 6,34; entre pardos, 6,25; e entre pretos, 5,92. A diferença é considerada pequena e não apresenta relevância estatística.

 

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A situação muda quando o assunto é o antipetismo. A rejeição espontânea ao PT foi declarada por 29% dos brancos, 24% dos pardos e 16,7% dos pretos. De acordo com a análise, essa diferença ajuda a explicar parte da distância racial observada na preferência eleitoral.

 

O levantamento aponta ainda que a diferença entre brancos e pretos na preferência por Jair Bolsonaro aparece em diferentes faixas de renda. Entre pessoas que ganhavam até um salário mínimo, 28,6% dos brancos disseram ter votado em Bolsonaro em 2022, contra 14,8% dos pretos. Entre os que recebiam mais de cinco salários mínimos, os percentuais foram de 52% e 33%, respectivamente.

 

A análise também destaca que o bolsonarismo não pode ser classificado simplesmente como uma preferência de eleitores brancos. Segundo os dados apresentados, metade desse eleitorado se identifica como parda, 35% como branca e 14% como preta. A religião também aparece como um fator relevante, já que a população preta e parda possui maior presença evangélica, grupo que apresenta maior inclinação ao bolsonarismo.

 

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Outro ponto considerado importante pelos pesquisadores é que essa diferença racial na preferência eleitoral não aparecia em 2018. Naquele ano, 25,8% dos brancos, 23,5% dos pardos e 21,1% dos pretos declaravam intenção de votar em Bolsonaro. Mesmo depois de considerados fatores como renda, escolaridade, região, religião, costumes, posicionamento ideológico e antipetismo, mais da metade da diferença racial permanece sem explicação. Os pesquisadores levantam a hipótese de que experiências de discriminação, pertencimento racial e processos de exclusão social possam influenciar essas escolhas, mas ressaltam que a pesquisa não possui dados suficientes para confirmar a causa. 

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