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Pesquisadora do INPA conquista prêmio nacional por transformar ciência em desenvolvimento para a Amazônia
Foto: Divulgação

Reconhecimento destaca mais de 40 anos de dedicação à agricultura familiar, aos povos indígenas e à preservação da floresta amazônica.

A pesquisadora titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Sonia Sena Alfaia, foi reconhecida com o Prêmio Fundação Bunge 2026, na categoria Vida e Obra, pelo trabalho desenvolvido ao longo de mais de quatro décadas em benefício da agricultura familiar, dos povos indígenas e da conservação da Amazônia.

 

Natural de Codajás, no interior do Amazonas, Sonia construiu uma trajetória voltada à busca de soluções sustentáveis para fortalecer a produção agrícola sem abrir mão da preservação ambiental. Agrônoma formada pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), com mestrado pela Universidade Federal de Lavras (UFLA) e doutorado na França, ela se tornou uma das principais referências brasileiras em manejo sustentável dos solos, sistemas agroflorestais e desenvolvimento rural.

 

Ao receber a homenagem, a pesquisadora afirmou ter sido surpreendida com o reconhecimento e destacou que a premiação valoriza o trabalho coletivo realizado ao lado de agricultores familiares, comunidades tradicionais e povos indígenas.

 

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Durante sua carreira, Sonia também participou da elaboração de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento sustentável da região. Entre 2010 e 2014, atuou na Secretaria de Estado da Produção Rural do Amazonas (Sepror), onde ajudou a criar o Programa de Agricultura Indígena, iniciativa que fortalece a produção agrícola das comunidades originárias por meio de assistência técnica, capacitação e acesso ao mercado.

 

Grande parte das pesquisas coordenadas por ela demonstra que é possível aumentar a produção agrícola sem desmatamento, utilizando sistemas agroflorestais e incentivando cadeias produtivas sustentáveis de espécies como guaraná, açaí, castanha, pupunha, abacaxi e pau-rosa.

 

Um dos projetos de maior destaque é a parceria com o povo indígena Sateré-Mawé para recuperar antigos guaranazais e incentivar práticas agroecológicas capazes de gerar renda sem comprometer a floresta. Segundo a pesquisadora, o sucesso dessas iniciativas depende da união entre o conhecimento científico e os saberes tradicionais das comunidades amazônicas.

 

Além da atuação em campo, Sonia também contribuiu para a formação de novas gerações de pesquisadores por meio dos programas de pós-graduação do INPA, orientando mestres e doutores que hoje atuam em diferentes áreas da ciência na Amazônia.

 

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Criado em 1955, o Prêmio Fundação Bunge é considerado um dos mais importantes reconhecimentos científicos do país. Inspirada no Nobel, a premiação homenageia pesquisadores que desenvolvem soluções inovadoras para os principais desafios do Brasil. Em 2026, Sonia Sena Alfaia foi destaque por sua contribuição para a inovação na transferência de tecnologias e conhecimentos voltados à agricultura familiar, consolidando seu legado como uma das cientistas que mais contribuíram para o desenvolvimento sustentável da Amazônia. 

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