Achado inédito foi encontrado em um diamante superprofundo e pode revelar novos detalhes sobre a composição do interior da Terra.
Uma equipe de pesquisadores brasileiros descobriu um mineral nunca antes identificado na natureza escondido dentro de um diamante encontrado em Juína, no noroeste de Mato Grosso. O novo material recebeu o nome de grahampearsonita, em homenagem ao cientista britânico Graham D. Pearson, conhecido por seus estudos sobre diamantes e as profundezas da Terra.
O mineral foi encontrado em um diamante considerado superprofundo, formado em regiões localizadas entre 400 e 800 quilômetros abaixo da superfície terrestre. A nova descoberta é um fosfato composto por cálcio, fósforo e oxigênio, com a fórmula química Ca?P?O?.
Segundo os pesquisadores, embora uma substância semelhante já tivesse sido produzida em laboratório, esta é a primeira vez que o mineral é encontrado em estado natural, seja na Terra ou em meteoritos. As características do material indicam que sua formação ocorreu em profundidades estimadas entre 450 e 750 quilômetros.
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O estudo contou com a participação de cientistas do Brasil, Itália, China e Alemanha, com colaboração de instituições como a Universidade de Brasília (UnB), o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS) e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Os resultados foram publicados na revista científica American Mineralogist.
As primeiras análises do material foram realizadas no Instituto de Física da UnB, onde os pesquisadores utilizaram técnicas capazes de identificar a composição dos minerais. Depois, a amostra foi enviada para a Universidade de Pádua, na Itália, onde exames mais detalhados confirmaram que se tratava de uma estrutura mineral inédita.
Após a confirmação científica, a Associação Mineralógica Internacional reconheceu oficialmente a grahampearsonita como um novo mineral.
Para os pesquisadores, a descoberta amplia o conhecimento sobre os processos que acontecem no interior do planeta. Os diamantes superprofundos são considerados verdadeiras cápsulas do tempo, pois conseguem transportar pequenos minerais formados em grandes profundidades até a superfície, preservando informações sobre a composição e evolução da Terra.
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Além disso, o novo mineral pode ajudar a compreender como elementos como o fósforo são armazenados e movimentados entre a crosta terrestre e o manto, contribuindo para estudos sobre a dinâmica interna do planeta.