Estatal voltou atrás horas após informar reajuste de R$ 0,19 no combustível, enquanto analistas do Itaú BBA questionam a previsibilidade da política de preços da empresa
A Petrobras corrigiu, durante a madrugada desta quinta-feira (10), uma informação divulgada horas antes sobre o preço da gasolina e provocou preocupação entre investidores. Na noite de quarta-feira (9), a estatal havia comunicado que encerraria um desconto de R$ 0,44 por litro da gasolina A comercializada com as distribuidoras e aplicaria uma alteração de R$ 0,19 no preço do combustível.
Pouco antes da 1h desta quinta-feira, entretanto, a empresa publicou uma correção. Segundo a nova versão, a mudança no preço da gasolina da Petrobras nos pontos de venda representaria apenas o fim do desconto. Para as distribuidoras, o efeito seria uma redução de R$ 0,19 no preço percebido após a incidência dos tributos.
A Petrobras não apresentou explicações mais detalhadas para a alteração na comunicação. A mudança chamou a atenção da equipe de análise do Itaú BBA, que avaliou o episódio como um possível sinal de menor previsibilidade nos processos de decisão da companhia.
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Em relatório divulgado nesta quinta-feira, os analistas afirmaram que a reversão da informação sobre o preço da gasolina pode aumentar as dúvidas dos investidores sobre a consistência e a independência da tomada de decisões relacionadas aos combustíveis.
O desconto de R$ 0,44 por litro havia sido aplicado em razão de uma medida provisória que autorizou subsídios destinados a produtores e importadores de combustíveis derivados de petróleo.
Com o encerramento da vigência da MP 1.358/2026, a Petrobras informou inicialmente que o benefício deixaria de ser aplicado. A medida havia sido editada em maio pelo governo federal em meio às tensões no Oriente Médio e à preocupação com os efeitos da alta do petróleo sobre os preços dos combustíveis.
A estatal, porém, destacou que o impacto do fim do desconto seria compensado por uma redução de R$ 0,63 por litro nas alíquotas de PIS/Pasep e Cofins, definida pelo governo em uma nova medida provisória.
MERCADO ACOMPANHA POLÍTICA DE PREÇOS
A mudança ocorre em um momento de atenção do mercado à política de preços adotada pela Petrobras. Desde 2023, a empresa deixou de utilizar a paridade de preços internacionais como referência exclusiva para definir os valores dos combustíveis.
A companhia não divulga detalhes sobre o método utilizado para calcular os preços, alegando questões relacionadas à concorrência. A política atual busca reduzir a exposição dos consumidores brasileiros às oscilações do mercado internacional e considerar as condições do mercado doméstico.
Para o Itaú BBA, o episódio envolvendo a gasolina também levanta dúvidas sobre o comportamento da Petrobras em relação ao diesel.
Os analistas avaliam que a empresa ainda poderia precisar elevar o preço do diesel em aproximadamente R$ 1 por litro para alcançar um alinhamento mais completo com sua política de preços.
Segundo a análise, caso as cotações internacionais permaneçam próximas dos níveis atuais, a Petrobras ainda estaria, em média anual, relativamente alinhada à política adotada para a gasolina. No caso do diesel, porém, os analistas apontam a existência de uma diferença significativa que ainda precisaria ser corrigida.
PETRÓLEO DISPARA COM TENSÃO NO ORIENTE MÉDIO
O cenário internacional também aumenta a pressão sobre a política de preços da Petrobras. Nesta quinta-feira (10), o petróleo Brent, referência internacional, fechou em alta de 6,34%, avanço equivalente a US$ 6,42, e ultrapassou a marca de US$ 107 por barril pela primeira vez desde maio.
A valorização ocorreu em meio à continuidade das tensões no Oriente Médio, aumentando os riscos de novos impactos sobre os preços internacionais dos combustíveis.
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Na avaliação do Itaú BBA, uma intensificação do conflito e uma nova disparada das cotações do petróleo poderiam elevar ainda mais a pressão sobre as decisões de preços da Petrobras nos próximos meses.