Mesmo com medida dos EUA para liberar petróleo russo retido no mar, mercado segue volátil e preocupa governos e investidores
Os preços do petróleo voltaram a superar a marca de US$ 100 por barril nesta sexta-feira (13), refletindo o aumento das tensões no Oriente Médio e o temor de interrupções no fornecimento mundial de energia.
O barril do Brent chegou a subir 0,8% e foi negociado a US$ 100,30, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) alcançou US$ 95,98.
Mais tarde, por volta das 11h (horário de Brasília), os preços reduziram parte dos ganhos, mas continuaram próximos da marca simbólica de US$ 100. O Brent registrava leve queda de 0,34%, cotado a US$ 100,12, e o WTI recuava 1,30%, para US$ 94,49.
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A valorização ocorre após uma escalada expressiva desde o início das tensões geopolíticas na região do Oriente Médio. Em 2026, o petróleo já acumula alta de aproximadamente 40%, saindo de cerca de US$ 60 no início do ano para níveis que não eram vistos desde 2022.
Os preços chegaram a registrar um pequeno alívio após os Estados Unidos autorizarem temporariamente a compra de petróleo russo que estava retido em navios no mar. O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos concedeu uma licença válida por 30 dias, até 11 de abril, permitindo que países adquiram carregamentos já embarcados até a última quinta-feira (12).
A medida tem como objetivo amenizar a escassez no mercado internacional de energia, mas analistas apontam que o cenário continua incerto.
O principal fator de preocupação é a possibilidade de interrupção nas rotas de transporte de petróleo no Oriente Médio, especialmente no Estreito de Ormuz, por onde passa uma parcela significativa do petróleo comercializado globalmente.
Segundo especialistas, o fluxo intenso de informações sobre o conflito e o mercado energético tem ampliado a volatilidade dos preços e afetado também os mercados financeiros.
A alta da commodity também reacendeu preocupações com a inflação mundial e influenciou as expectativas sobre a política monetária dos EUA. O mercado agora projeta cortes menores nos juros pelo Federal Reserve, com previsão de redução de apenas 20 pontos-base neste ano.
REFLEXOS NO BRASIL
O avanço do petróleo no exterior já levou o governo brasileiro a adotar medidas para reduzir possíveis impactos no preço do diesel.
Na quinta-feira (12), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou um pacote que inclui a isenção de PIS e Cofins sobre o diesel e a criação de uma subvenção para produtores e importadores do combustível.
A estimativa do governo é que as ações possam reduzir o preço do diesel em cerca de R$ 0,64 por litro.
Para compensar a perda de arrecadação, também foi anunciado um imposto de 12% sobre a exportação de petróleo, com o objetivo de capturar parte dos ganhos obtidos pelas empresas com a alta internacional da commodity.
A Petrobras informou que seu conselho de administração aprovou a adesão ao programa do governo. No entanto, a companhia ressaltou que a formalização depende da publicação das regras pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis.
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A estatal também reiterou que continuará adotando uma estratégia comercial baseada na participação de mercado, na otimização das operações de refino e na busca por rentabilidade sustentável, evitando repassar imediatamente ao consumidor toda a volatilidade das cotações internacionais e do câmbio.